Mãe Holle

Era uma vez uma viúva que tinha duas filhas. Uma delas era gentil e muito trabalhadeira; a outra era um pouco preguiçosa e nem sempre bondosa. Mesmo assim, a mãe acabava pedindo quase todas as tarefas à filha trabalhadeira.
Todos os dias, depois de arrumar a casa, a menina trabalhadeira sentava-se junto ao poço para fiar. Ela fiava tanto que, às vezes, os dedinhos ficavam cansados e doloridos.
Certo dia, ao ir lavar a bobina na beira do poço, ela escorregou, e a bobina caiu lá no fundo. A menina ficou tão preocupada em perder a bobina que, cheia de coragem, se debruçou para procurá-la e acabou escorregando também.
Mas, para sua surpresa, quando abriu os olhos, não estava no fundo do poço: estava de pé num prado verdinho, cheio de flores e sol, o lugar mais bonito que ela já tinha visto.
Andando pelo prado, sentiu um cheirinho gostoso de pão fresco. Chegou perto de um forno e ouviu uma vozinha:
: Por favor, me tire daqui, senão eu vou queimar!
Com todo o cuidado, a menina tirou os pães do forno e os deixou esfriando. Um pouco mais adiante, as maçãs de uma árvore começaram a chamar:
: Por favor, nos sacuda! Já estamos bem maduras e prontinhas!
Gentil como era, a menina sacudiu a macieira, juntou as maçãs numa pilha bem arrumada e seguiu em frente.
Logo chegou a uma casinha. Da janela, uma senhora de sorriso largo espiava. A menina quase se assustou, mas a senhora falou com muita doçura:
: Não tenha medo, minha querida. Se você me ajudar com as tarefas, terá uma vida boa aqui comigo. Vou cuidar de você com carinho. O mais importante é sacudir bem o meu edredom, para as peninhas voarem. Quando isso acontece, lá na Terra as pessoas dizem: "Olha, está nevando!". E eu adoro isso, porque eu sou a Mãe Holle.
A menina prometeu ajudar com vontade e ficou morando com a Mãe Holle. Trabalhava com capricho, sacudia o edredom até nevar bem lá longe, e nunca faltava comida gostosa nem carinho. Era quase sempre uma festa!
Mesmo feliz, com o passar do tempo a menina começou a sentir saudades de casa e da mãe. Então pediu, com jeitinho, para voltar.
: Você foi tão dedicada e boa comigo: disse a Mãe Holle, com ternura: que eu vou te recompensar.
Ela pegou a menina pela mão e a levou até um grande portão. Quando o portão se abriu, uma chuva de ouro caiu suavemente sobre a menina, cobrindo-a de brilho dourado da cabeça aos pés.
: Isto é por todo o seu esforço e bondade: disse a Mãe Holle, dando-lhe um abraço de despedida.
A menina voltou para casa reluzente de ouro, e foi recebida com muita alegria. Ela contou toda a aventura à mãe e à irmã.
A irmã preguiçosa ficou encantada e também quis um tesouro daqueles. Então foi até o poço e pulou lá dentro. Logo chegou ao mesmo prado verdinho.
Mas, no caminho, quando o pão pediu para ser tirado do forno, ela nem parou. E quando as maçãs pediram ajuda, ela fingiu que não ouvia e passou reto.
Ao chegar à casa da Mãe Holle, ofereceu-se para trabalhar. No primeiro dia até se esforçou, mas no segundo já estava reclamando de tudo e não quis mais sacudir o edredom.
A Mãe Holle, então, falou com ela com paciência:
: Minha querida, quem colhe bons frutos é quem planta esforço e bondade. Está na hora de você voltar para casa e pensar nisso.
E a levou até o grande portão. Só que, dessa vez, em vez da chuva de ouro, caiu sobre ela uma chuva de piche pegajoso.
: O que você entrega ao mundo é o que volta para você: disse a Mãe Holle, gentil.: Mas não se preocupe: assim que você mudar de atitude e começar a ajudar com o coração, esse piche vai desaparecer.
A menina voltou para casa toda melada e um pouco envergonhada. Aos poucos, foi entendendo a lição. Começou a ajudar em casa, a tratar todos com bondade e a fazer suas tarefas com dedicação. E, bem devagarinho, o piche foi sumindo, até ela ficar limpinha de novo, com um coração muito mais generoso.
Moral da História
A bondade e o esforço sempre trazem boas recompensas. E, quando erramos, nunca é tarde para mudar de atitude e fazer o bem.