Juntos Somos Mais Fortes

Num inverno muito rigoroso, numa terra distante da África do Sul, uma mulher chamada Ma Monikazi esperava um bebê. Naquele tempo frio, muita gente adoecia, e ela também não estava se sentindo bem. Mesmo assim, cheia de amor, embalava a barriga e cantava baixinho para o bebê que ia chegar:
: Seja forte, pequenino. O inverno não dura muito. Seja corajoso, pequenino. Juntos, somos fortes!
Numa noite clara, quando a lua estava enorme e rosada, o bebê nasceu. As tias aqueceram a água e cuidaram de tudo com carinho. Quando Ma Monikazi segurou sua filhinha nos braços, teve certeza de que aquela era uma menina muito especial.
: Seu nome é Nontsikelelo: disse a mãe, com os olhos brilhando.: Quer dizer "a que traz bênçãos". Todos passaram a chamá-la, com amor, de Ntsiki. Ela era linda e forte, com olhinhos pretos e brilhantes como botões.
Ntsiki adorava seu irmão mais velho, Mcengi, que a fazia rir sem parar. E a família foi crescendo: chegaram mais irmãos e mais uma irmãzinha. A pequena Ntsiki ajudava em tudo. Dobrava as roupinhas, embalava o irmão caçula quando ele chorava e fazia cócegas para todo mundo dar risada.
À noite, ela cantava para os pequenos a mesma canção que a mãe cantava:: Seja forte, pequenino. Seja corajosa, pequenina. Juntos, somos fortes!
O avô de Ntsiki, chamado Qingqiwe, criava cavalos. Seu preferido era Shishi, uma égua preta e reluzente. Assim que a menina teve idade suficiente, o avô a colocou na sela, bem na frente dele.: Fale baixinho com ela e escove o pelo com cuidado: ensinava, com paciência.
Logo Ntsiki já cavalgava sozinha nas costas largas de Shishi. Sentava-se firme, segurava as rédeas com dedos leves e ia até o ponto de ônibus esperar o pai voltar do trabalho. Quando ele a via chegando montada, tão orgulhosa, abria o maior dos sorrisos.
No seu sexto aniversário, Ntsiki foi para a escola.: Você precisa escolher um nome em inglês: disse a professora.: Mas eu gosto do meu nome!: respondeu a menina.: Por que preciso de outro?
A professora leu vários nomes em voz alta. Ntsiki escutou com atenção e gostou de um em especial:: Al-ber-ti-na!: repetiu, sorrindo.: Esse nome tem ritmo. Esse nome tem força! E assim ela passou a ser Albertina, sem nunca esquecer o seu nome de nascença.
Quando uma prima se casou, Albertina foi escolhida para uma missão importante: guiar os convidados a cavalo até a festa, segurando uma bandeira branca. Ela costurou sua roupa tradicional com miçangas coloridas e, na curva da estrada, acenou com a bandeira. Todos cantavam e jogavam flores para a menina e para Shishi. Foi um dia de muita alegria!
Como sua mãe adoecia com frequência, Albertina ajudava a cuidar da casa e dos irmãos. Na escola, era uma aluna dedicada e foi escolhida como líder da turma, usando o distintivo com muito orgulho.
Um dia, sua melhor amiga, Betty, chegou animada:: Tem um concurso, e o prêmio é uma bolsa para continuar os estudos! Você precisa participar, minha amiga esperta.: Albertina estudou até a vela se apagar. Praticou as contas, a ortografia, e até deu um brilho extra nos sapatos.
Ela foi uma das melhores de todas! Mas, na hora de entregar a bolsa, veio uma notícia triste:: Albertina tirou a nota mais alta, mas é um pouquinho mais velha do que as regras pediam.: E a bolsa foi para outra pessoa.: Isso é injusto!: gritou Betty, indignada. Albertina segurou as lágrimas, sem entender por que a idade importava mais do que o esforço.
Mas Albertina não estava sozinha. Sua professora escreveu para o jornal contando como aquilo tinha sido injusto. Um padre bondoso leu a história e ficou tão comovido que decidiu ajudar.: Essa menina merece estudar!: disse ele. E logo apareceu uma nova bolsa, numa escola distante.
A vila inteira explodiu de alegria! A menina da terra ia continuar estudando. Fizeram uma festa e tanto, com comida, música e fogueiras. Antes de partir de ônibus, Albertina se despediu de Shishi. Escovou seu pelo e sussurrou no ouvido macio da égua todas as suas dúvidas:: E se eu me perder? Será que vou fazer novos amigos?: Shishi relinchou baixinho, como quem diz: "Você vai conseguir."
Na escola nova, os dias começavam bem cedo. A comida nunca era tão gostosa quanto a de casa, e Albertina sentia muita saudade da família. Mesmo assim, estudava com afinco e ainda arranjava tempo para brincar de netball nas tardes de sol.
Ela cresceu com vontade de ajudar as pessoas.: Quem sabe eu possa ser enfermeira?: pensou. E foi o que fez! Viajou para a grande cidade de Joanesburgo, vestiu seu uniforme branco novinho e começou a cuidar dos doentes com dedos gentis e muito carinho. Quando os bebês do hospital choravam, ela cantava, baixinho:
: Seja forte, pequenino. O inverno não dura. Seja corajoso, pequenino. Juntos, somos fortes!
Nas noites de trabalho, Albertina olhava pela janela e pensava na família lá longe. Guardava cada moedinha para mandar para casa e quase nunca ia a festas. Nos dias de folga, aprendeu a jogar tênis: whoosh, ploc! A bolinha voava de um lado para o outro.
Foi por essa época que Albertina conheceu Walter, um homem gentil, corajoso e de sorriso largo, que sonhava com um país mais justo para todos. Os dois se apaixonaram, se casaram numa festa cheia de fitas coloridas e, um ano depois, nasceu o pequeno Max. Albertina tinha se tornado mãe, com o coração transbordando de amor e esperança.
Ela plantou flores no seu jardim e cuidou da família com dedicação. Mas Albertina também queria muito ajudar a construir uma África do Sul mais justa, onde todas as crianças pudessem crescer livres e felizes, como o seu Max.
Aqueles não foram tempos fáceis. Havia leis injustas, e Albertina era corajosa demais para ficar calada. Ela se juntou a outras mulheres e, todas de mãos dadas, marcharam com firmeza para pedir igualdade e respeito. Elas cantavam bem alto:: Quando você toca numa mulher, é como tocar numa rocha!: Porque, juntas, elas eram muito fortes.
Vieram anos difíceis, e a família precisou ficar longe por muito tempo. Muitas vezes Albertina sentiu medo, e muitas vezes se sentiu sozinha. Mas ela nunca perdeu a esperança. Sempre que o coração apertava, ela olhava para a fatia de lua na janela e cantava a mesma canção que sua mãe cantara antes de ela nascer:
: Seja forte, pequenino. O inverno não dura. Seja corajoso, pequenino. Juntos, somos fortes!
E aquela canção lhe dava forças. Com o passar do tempo, o país foi mudando para melhor, e a coragem de Albertina ajudou muita gente a acreditar num amanhã mais justo. Por todo o carinho e por toda a luta, as pessoas passaram a chamá-la, com orgulho, de "Mãe da Nação".
Moral da História
Nas horas difíceis, a coragem, a esperança e a união nos tornam mais fortes. Quando caminhamos de mãos dadas, nada é impossível.