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Jorinde e Joringel

Capa do livro de histórias Colorir e Desenhar

Era uma vez um velho castelo encantado, escondido no meio de uma floresta profunda. Nele vivia uma fada muito antiga, capaz de se transformar em qualquer bicho que quisesse.

Num dia, ela voava em forma de coruja; no outro, andava pela grama como um gato. Mas, ao cair da noite, sempre voltava a ser uma velha fada.

Ela gostava de encantar quem chegasse perto demais do castelo. Às moças, transformava em passarinhos e guardava em gaiolas douradas. Já havia setecentas gaiolas no castelo, cada uma com um lindo pássaro cantando lá dentro.

Perto dali viviam Jorinde, a moça mais doce daquelas terras, e Joringel, um pastor de bom coração que a amava muito. Os dois iam se casar em breve e viviam sonhando com esse dia.

Certa tarde, foram passear pela floresta e, distraídos com a beleza do pôr do sol, acabaram se perdendo. Quando quiseram voltar, não sabiam mais o caminho.

De repente, Joringel percebeu, assustado, que eles haviam parado bem ao lado do castelo encantado. No mesmo instante, um feitiço tomou conta do ar: Jorinde virou um rouxinol, e Joringel ficou paradinho, sem conseguir se mexer nem falar.

Uma coruja de olhos brilhantes voou três vezes ao redor deles. Então a velha fada apareceu, pegou o rouxinol com cuidado e o levou para o castelo. O pobre Joringel viu tudo, mas não conseguiu fazer nada.

Um pouco depois, o feitiço que o prendia se desfez. Livre, Joringel correu até a fada e implorou: : Por favor, devolva a minha Jorinde!

Mas a fada apenas riu e disse que ele nunca mais a veria. Joringel voltou para casa com o coração apertado, mas não desistiu. "Vou encontrar um jeito de salvá-la", prometeu a si mesmo.

Ele foi morar numa aldeia próxima e virou pastor. Muitas vezes rondava o castelo de longe, procurando uma solução, mas nada acontecia.

Uma noite, teve um sonho encantado: encontrava uma linda flor roxa, com uma gotinha de orvalho no meio, brilhando como uma pérola. No sonho, tudo o que ele tocava com a flor se libertava da magia, e ele reencontrava sua amada.

Ao acordar, Joringel saiu à procura da tal flor. Buscou por oito dias inteiros, sem achar. Mas, no nono dia, finalmente a encontrou: a flor roxa, com a gotinha de orvalho no centro, exatamente como no sonho.

Cheio de esperança, ele colheu a flor e caminhou até o castelo. Desta vez, o feitiço não teve força sobre ele. Ao tocar a porta com a flor, ela se abriu sozinha.

Lá dentro, Joringel seguiu o som dos setecentos pássaros cantando até a grande sala. Ao vê-lo, a fada ficou furiosa, mas não conseguiu chegar perto por causa da flor mágica.

Havia tantos rouxinóis parecidos! Como saber qual era Jorinde? Então Joringel notou que a fada tentava fugir escondendo uma gaiola. Ele correu e tocou a gaiola com a flor.

Num passe de mágica, lá estava Jorinde de novo, tão linda quanto sempre! Ela o abraçou com alegria. Em seguida, ele tocou todos os outros pássaros com a flor, e um a um voltaram a ser as moças que eram, livres para voltar para casa.

Sem seus feitiços, a velha fada perdeu todo o poder e nunca mais aprisionou ninguém. Joringel levou Jorinde de volta, os dois se casaram e viveram muito felizes.

Moral da História

O amor verdadeiro e a esperança nos dão coragem para nunca desistir: e, com paciência e bondade, sempre encontramos um caminho.