Irmão e irmã

Depois que a mãe deles partiu, deixando muitas saudades, a vida de um irmão e uma irmã ficou difícil. A madrasta era mal-humorada e os tratava com dureza, dando pouquinho para comer.
Um dia, cansados de tanta tristeza, o irmão disse baixinho: : Venha, irmãzinha. Vamos embora juntos procurar um lugar melhor.
De mãos dadas, os dois caminharam o dia inteiro, até que a noite os encontrou numa floresta enorme. Cansados, adormeceram abraçadinhos sob uma árvore.
De manhã, o irmão acordou com muita sede. Juntos, saíram à procura de água. Só que a madrasta, que conhecia feitiços, havia enfeitiçado os riachos da floresta para pregar uma peça nas crianças.
Quando o irmão se abaixou para beber, a irmã ouviu um sussurro vindo da água: "Quem beber de mim virará um tigre." Assustada, ela pediu depressa: : Não beba, irmão! Ou você vai se transformar!
Mais adiante, outro riacho sussurrou: "Quem beber de mim virará um lobo." De novo a irmã avisou a tempo, e de novo o irmão, mesmo morrendo de sede, se conteve.
No terceiro riacho, a água murmurou: "Quem beber de mim virará um cervo." Mas o irmão estava com tanta, tanta sede, que não resistiu e tomou um golinho. Num instante, ele se transformou num filhote de cervo de olhinhos doces.
A irmã abraçou o irmãozinho cervo e prometeu: : Não importa o que aconteça, eu nunca vou te deixar.
Ela tirou a fitinha dourada do próprio cabelo e amarrou com carinho no pescoço dele, para nunca se perderem. Caminharam mais e mais, até encontrarem uma casinha vazia no coração da floresta, onde passaram a viver tranquilos e felizes.
Certo dia, o rei daquela terra veio caçar na floresta. Ao ouvir as trompas e as vozes alegres, o cervinho ficou animadíssimo e quis correr pelos campos. : Deixe-me ir brincar lá fora, só um pouquinho: pediu ele.
A irmã concordou, com uma condição: : Volte antes de anoitecer. E, quando chegar à porta, diga "querida irmã, deixe-me entrar", para eu saber que é você.
O cervinho correu feliz o dia todo, ágil e veloz, sem que ninguém conseguisse alcançá-lo. Ao anoitecer, voltou para casa e disse as palavras combinadas. Mas um dos caçadores, curioso, havia seguido o cervo e ouvido tudo. Correu contar ao rei.
No dia seguinte, o rei foi ele mesmo até a casinha. Bateu à porta e disse com gentileza: "Querida irmã, deixe-me entrar." Qual não foi a surpresa da moça ao abrir e encontrar o rei!
O rei achou a moça tão boa e gentil que a convidou para morar no castelo, junto com o cervinho, que seria muito bem cuidado. Felizes, os três partiram, e por muito tempo viveram em paz.
Quando a madrasta soube da alegria dos dois, ficou furiosa e tentou usar seus feitiços para atrapalhar. Mas o rei, esperto e justo, logo descobriu tudo. Diante de tanta gente boa e unida, a magia malvada perdeu toda a força e se desfez no ar. Sem seus truques, a madrasta foi embora para bem longe e nunca mais voltou a incomodar ninguém.
Naquele exato momento, o encanto se quebrou, e o cervinho voltou a ser o irmão de sempre. Reunidos e felizes, o irmão e a irmã viveram no castelo com muito amor por toda a vida.
Moral da História
O amor entre irmãos é mais forte que qualquer dificuldade: quando permanecemos unidos e bondosos, nada de ruim consegue nos vencer.