Pular para o conteúdo

Festa Na Casa Do Sr. Raposa

Capa do livro de histórias Colorir e Desenhar

O Senhor Raposa vivia sendo incomodado pelo barulhento Senhor Cão e por seu dono, que moravam bem pertinho dele. Cansado da confusão, ele resolveu procurar um novo lar, mais tranquilo, lá no alto da floresta.

Certa noite, à luz da lua, ele olhou em volta e: que alegria!: encontrou o lugar perfeito. Era uma casinha aconchegante, construída nos galhos de uma árvore bem grande e forte.

: Com uns consertos aqui e ali, esta vai ser a casa mais bonita da floresta!: disse o Senhor Raposa, esfregando as patas, satisfeito.

Então ele arrumou tudo com muito capricho: colocou cortinas nas janelas, arranjou uma velha chaminé para o fogão e deixou a casa quentinha e acolhedora. Em poucos dias, estava pronta.

Feliz da vida, o Senhor Raposa convidou todos os seus amigos para uma festa em casa.

O Senhor Cobra, o Senhor Ratinho e o Senhor Esquilo acharam ótimo. Mas o Senhor Coelho e o Senhor Texugo ficaram tristes.

: Ah, nós adoraríamos ir: disseram eles :, mas não sabemos subir em árvore!

O Senhor Raposa não queria deixar ninguém de fora. Então pegou uma escada emprestada e a encostou no tronco.

: Pronto!: anunciou.: Agora todo mundo consegue subir. Ninguém vai ficar de fora da minha festa!

O Senhor Coelho e o Senhor Texugo ficaram tão contentes que aceitaram o convite na mesma hora.

Chegou a noite da festa. A lua brilhava lá no céu, e o Senhor Raposa preparou uma sopa de legumes bem cheirosa, borbulhando na panela. A fumacinha subia pela chaminé e espalhava um aroma delicioso por toda a floresta.

Foi então que o Senhor Cão, que passava correndo por ali, sentiu aquele cheiro maravilhoso. Ele farejou o ar, abanou o rabo e olhou para cima.

: Hummm, que cheirinho bom!: disse ele.: De onde será que vem?

Andando de nariz para o alto, ele acabou esbarrando na escada.: Ora, ora, que sorte a minha!: E, sem saber que a casa era do Senhor Raposa, subiu direitinho.

Lá em cima, o Senhor Cão encontrou a panela de sopa. Serviu-se de uma boa tigela, comeu até ficar de barriga cheia e, todo sonolento, deitou no tapete e adormeceu roncando.

Pouco depois, o Senhor Raposa voltou de um passeio pela floresta. Subiu a escada no escuro, entrou em casa… e tropeçou bem no meio do Senhor Cão adormecido!

: Au!: latiu o Senhor Cão, acordando assustado.

: Socorro!: gritou o Senhor Raposa, levando o maior susto.

Sem pensar duas vezes, o Senhor Raposa disparou para longe, e o Senhor Cão, ainda meio tonto de sono, saiu correndo atrás. Mas logo o Senhor Cão sentiu de novo o cheiro da sopa, deu meia-volta e foi terminar de jantar, esquecendo toda a confusão.

Nessa hora, chegaram os convidados. Um a um, começaram a subir a escada: primeiro o Senhor Ratinho, depois o Senhor Cobra, o Senhor Texugo e o Senhor Coelho. O Senhor Esquilo, esperto, subiu pulando de galho em galho.

Quando estavam na metade do caminho, o Senhor Cão ouviu o barulhinho e foi espiar na porta. Ao ver aquele bando de convidados, ele levou um susto tão grande que deu um pulo… escorregou no primeiro degrau e: plaft!: caiu bem em cima da escada.

Os convidados se atrapalharam todos e rolaram macios sobre um monte de folhas fofas embaixo da árvore. Ninguém se machucou: mas que bagunça engraçada!

O Senhor Esquilo, que estava lá no alto de um galho, foi o único que não caiu. Ele ria tanto que quase chorava.

: Foi a coisa mais engraçada que eu já vi na vida!: disse ele.

: Ainda bem que as folhas eram macias!: riu o Senhor Coelho, se sacudindo.

Levou um tempinho até o Senhor Raposa conseguir explicar que não tinha convidado o Senhor Cão de jeito nenhum. Quando o Senhor Esquilo contou que foi o próprio Cão quem comeu toda a sopa escondido, os amigos caíram na gargalhada e perdoaram o anfitrião.

O Senhor Raposa pensou um pouquinho e concluiu:

: Sabem de uma coisa? Acho que morar lá no alto não é bem para mim. Vou voltar para o chão, onde é mais fácil receber os amigos.

E assim ele fez. Pouco tempo depois, deu uma nova festa, agora numa casinha bem no chão da floresta. Todos vieram, sem escada e sem confusão: e foi a festa mais alegre e cheia de risadas que aquela floresta já tinha visto.

Moral da História

Nem sempre o lugar mais alto é o melhor para a gente. O que faz um lar feliz é poder receber bem quem a gente ama, com carinho e boa vontade.