Eu sou da Cor do Mel

Meu nome é Amanda. Eu moro com a minha mamãe, o meu papai e a minha cachorrinha Porsha. O papai diz que eu sou da cor do mel. A mamãe diz que eu pareço um lindo pôr do sol. Mas, quando eu me olho, não acho que pareço com nenhum dos dois.
Só a Porsha é marrom pintadinha, quase como eu!
Quando a gente sai para passear, algumas pessoas ficam olhando ou fazem um monte de perguntas.
: Essa é a sua tia?: perguntou a moça da loja.
: Não! É a minha mamãe!: respondi, rindo.
: Esse é o seu professor?: perguntou o senhor do parque.
: Não! É o meu papai!
: Mas por que você não se parece com eles?: ele quis saber.
: Porque eu sou da cor do mel: expliquei.: E pareço um lindo pôr do sol!
: Mas o seu papai é escuro como o céu da noite: disse a moça da loja.
: E a sua mamãe é clara como as páginas de um livro novo: disse o senhor do parque.: Por que você é tão diferente?
Naquela noite, fiquei pensando. No dia seguinte, enrolei uma toalha na cabeça e balancei ela como a mamãe faz com o cabelo dela.
: Essa é a sua tia?: perguntou a moça da loja de novo.
: Não, é a minha mamãe!: respondi.
Corri para casa e peguei um pouquinho de tinta. Passei no rosto, tentando ficar de outra cor.
: Que pintura divertida!: disse o senhor do parque, e apontou para o papai.: Esse é o seu professor?
: Não! Ele é o meu papai!: respondi, e senti os olhinhos ficarem cheios d'água.
As lágrimas escorreram e levaram a tinta embora do meu rosto. Corri para o colo dos meus pais.
: Por que eu não pareço com vocês, mamãe e papai?: perguntei, chorando baixinho.
O papai me abraçou apertado e a mamãe secou o meu rosto com muito carinho.
: Amanda, me mostra aquele seu sorriso: pediu a mamãe.: É igualzinho ao do seu papai!
: E olha essa covinha na sua bochecha: disse o papai.: É igual à da sua mãe!
Eu não estava muito a fim de sorrir… mas a mamãe fez uma careta engraçada, o papai fez cócegas de leve, e não teve jeito: eu abri o maior sorriso do mundo. E eles sorriram comigo!
: Olhem!: falei, animada.: Os meus dentes são branquinhos, igual aos de vocês!
: Sim, meu amor: disse a mamãe, me abraçando.: E o seu coração é vermelho e quentinho, igualzinho ao nosso.
Aí eu entendi: a gente pode ter cores diferentes por fora, mas o amor que a gente sente por dentro é sempre da mesma cor.
Moral da História
Cada pessoa tem a sua própria cor e beleza, e isso é motivo de orgulho. O que faz uma família ser família não é a aparência, e sim o amor que existe dentro do coração.