Espere e veja

No meio de uma floresta tranquila, uma pequena faia crescia bem ao lado de sua mãe, uma grande e frondosa árvore. A faiazinha era curiosa e cheia de perguntas. Um dia, ela olhou ao redor e suspirou:
: Mãe, fico pensando... qual será a minha utilidade no mundo? O vizinho Carvalho deixa cair bolotinhas que alimentam os animais. A vizinha Bétula dá sua casca lisa para as pessoas. O Abeto oferece sua resina cheirosa. Todos conseguem ajudar de algum jeito... mas eu, o que posso fazer?
A árvore-mãe balançou os galhos com carinho e respondeu, calminha:
: Espere e veja, minha filha.
Então a faiazinha esperou. Depois de um tempo, algumas florzinhas delicadas brotaram em seus galhos. A pequena árvore ficou radiante!
: Oh! Agora entendi!: disse ela.: Posso alegrar a floresta com minha beleza e enfeitar o caminho de quem passa por aqui!
Mas, quando o vento soprou, as flores foram caindo uma a uma. A faiazinha ficou tristinha.
: Ó mãe! Todas as minhas florzinhas se foram! Agora nem bonita eu consigo ser. O que devo fazer?
: Espere e veja: respondeu a árvore-mãe, com doçura.
A pequena árvore achava que esperar era muito difícil. Mesmo assim, pensou consigo:
: A mamãe sempre sabe o que é melhor. Então vou confiar e esperar.
Passou mais um tempo e, no lugar das flores, surgiram umas bolinhas verdes e espinhentas. Elas agradaram tanto a faiazinha quanto as flores, e ela se contentou em esperar para ver se serviriam para alguma coisa além de enfeitar.
Aos poucos, as bolinhas verdes foram ficando marrons. A faiazinha achou que não eram mais tão bonitas.
: Oh, querida mãe! Minhas bolinhas ficaram todas marrons. O que devo fazer agora?
: Espere e veja: repetiu a árvore-mãe, tranquila como sempre.
Chegou o outono, e o ventinho começou a ficar mais frio naquela parte da floresta. Certa manhã, depois de uma noite geladinha, a faiazinha percebeu que todas as suas bolinhas marrons e espinhentas haviam caído no chão.
: Ó mãe! Lá estão minhas bolinhas caídas no chão. Agora tenho certeza de que nunca serei útil para ninguém: disse ela, cabisbaixa.
: Não desanime ainda, minha querida. Espere e veja: respondeu a mãe, cheia de confiança.
Naquele exato momento, chegaram correndo os filhos do fazendeiro, com cestinhas nas mãos. Iam colher nozes pela floresta. Quando passaram debaixo da faiazinha, o menino mais velho parou de repente e apontou para o chão:
: Olhem, crianças! Aqui estão as nozes de faia! A mamãe adora essas nozes, mais do que qualquer outra. Vamos juntá-las todas e levar para ela!
As crianças encheram as cestinhas, felizes, e foram embora agradecendo. Então a árvore-mãe sussurrou, orgulhosa:
: Viu, minha filha? Agora você descobriu o bem que pode fazer.
: Sim, mãe!: respondeu a faiazinha, radiante.
E, a partir daquele dia, ela nunca mais reclamou. Ficou sempre contente e paciente, até crescer e virar uma grande árvore: tão grande e generosa quanto sua mãe.
Moral da História
Cada um tem o seu tempo certo para florescer e mostrar o seu valor. Com paciência e confiança, todos descobrem a maneira especial de fazer o bem no mundo.