Emborg e os animais

Era uma manhã bonita quando Emborg saiu sozinha pelo mundo pela primeira vez na vida. Ela tinha um plano muito especial no coração: queria comprar um presente de aniversário para sua mãe.
: A mamãe é sempre tão gentil e boa: pensava Emborg.: Ela merece o presente mais lindo de todos.
Para a viagem, Emborg pôs um lencinho na cabeça, levou uma bolsinha numa das mãos e um guarda-chuva na outra, porque a mãe sempre dizia: "Devemos estar sempre preparados para a chuva". Pendurada no pescoço, por um cordão, ela guardava sua única moedinha, que a mãe chamava de "moeda da sorte". Era o primeiro dinheiro que Emborg tinha na vida.
: Posso comprar tudo o que eu quiser com ela?: havia perguntado Emborg.
: Ah, talvez sim: respondera a mãe, sorrindo :, se você tiver bastante sorte.
O gatinho de Emborg a seguiu até o portão, esfregando-se em suas pernas e miando baixinho:
: Miau, miau, eu também quero ir!
: Não pode, gatinho: disse Emborg com carinho.: Você e o cachorrinho precisam ficar em casa cuidando da mamãe.
Então veio o cachorrinho, abanando o rabo, todo animado.
: Au, au! Deixa eu ir!: parecia dizer.
: Fique, sim, meu amigo. É você quem toma conta da casa: respondeu ela.
E assim, depois de trancar bem o portão, Emborg começou sua caminhada.
Não tinha andado muito quando ouviu um som encantador. Era um menino descendo a estrada, tocando um apito de brinquedo.
: Você me venderia esse apito pela minha moeda da sorte?: perguntou Emborg.
: Ah, pode ficar com ele de graça!: disse o menino, generoso.: E, quando aprender a assoprar, vai se alegrar toda vez que apitar.
: Então vou apitar todos os dias!: disse Emborg, agradecendo com uma mesura gentil.
Mais adiante, ela encontrou uma ovelhinha e seu cordeiro.
: Béé: disse a ovelha, e "béé" repetiu o cordeiro.
: Tenho uma moeda da sorte: contou Emborg.: Poderia comprar um pouco de lã com ela?
: Ah, pode ficar com a lã, um saco cheio!: respondeu a ovelha.: E guarde sua moeda, que você vai precisar mais dela do que eu.
: Você é muito gentil!: disse Emborg.: Agora teremos meias e agasalhos quentinhos para o inverno. Muito obrigada!
Seguindo o caminho, chegou a um campo verdinho onde estava uma vaca grande e simpática.
: Muuu! Venha cá, venha cá!: chamou a vaca.
Ali havia um baldinho de leite fresco, um pote de manteiga recém-batida e uma tigela de creme com um bilhetinho: "Para uma menininha". Tudo aquilo era para Emborg, e a vaca não quis aceitar nem a moeda da sorte.
: Ah, como este leite é doce e bom!: disse Emborg. E, cheia de gratidão, fez um carinho na testa da vaca e agradeceu muitas vezes.
Logo ela passou por uma cerca onde uma galinha cacarejava alegre:
: Có, có, có! Todo dia eu ponho um ovo! Leve os ovinhos que quiser!
Ao lado da cerca havia uma cestinha cheia de ovos branquinhos.
: Que ovos lindos!: disse Emborg. E, imagine só, a galinha também não aceitou nem uma moedinha.
Adiante, numa velha estrada, apareceu uma cabra de barba branca e chifres bonitos, com um sininho no pescoço.
: Quer um queijo de cabra?: ofereceu ela, gentil.: Lá no alto do monte tem bastante, fresquinho e saboroso. Vou buscar para você, e não precisa pagar nada.
: Muito obrigada! Que bom que conheci você: respondeu Emborg, encantada com tanta bondade.
Um pouco mais à frente, Emborg viu um animal que nunca tinha visto antes, com chifres enormes e galhados. Mas ela não sentiu nem pingo de medo.
: Quem é você, que tem chifres tão grandes?: perguntou.
: Sou uma rena da montanha e vim aqui só para cumprimentá-la: respondeu o animal, gentilmente.: Ouvi dizer que você é uma menina bondosa, juntando presentes para sua mãe. Aceite estes chifres que já vão cair: deles se fazem lindos cabinhos de colher. E não precisa me pagar, pois logo novos chifres crescem na minha cabeça.
: Parece até demais! Mas fico muito agradecida: disse Emborg, radiante.
Enquanto caminhava, ela pensava:
: Acho que todo mundo que dá algo com o coração fica feliz. A mamãe é assim, e os animais também parecem ser.
De tanto andar, Emborg sentou-se numa pedra para descansar. Havia abelhinhas e borboletas dançando ao sol, e florzinhas coloridas por toda parte. Ela colheu as mais bonitas e fez um buquê para a mãe.
Mas então surgiu uma dúvida: como levaria para casa tantas coisas boas de uma vez só?
Foi quando um cavalo grande, forte e manso apareceu na estrada. E: maravilha das maravilhas!: ele trazia nas costas tudo o que os animais tinham dado a ela! O cavalo relinchou baixinho, ajoelhou-se de leve, e num instante Emborg estava sentada em seu lombo.
Assim, felicíssima, Emborg voltou para casa levando o apito, a manteiga, o leite, o queijo de cabra, os ovos, o saco de lã, os chifres e o ramo de flores. Que aniversário maravilhoso a mamãe teria! E o presente mais bonito de todos, ela sabia, era o carinho que havia recebido no caminho.
Moral da História
Quem trata o mundo com gentileza colhe gentileza de volta. E o presente mais valioso que podemos dar a alguém é feito de bondade e de amor.