Dança Do Luar Da Sra. Elefante

Numa bela noite de lua cheia, os animais da floresta se reuniram em um grande círculo, pertinho de um lago onde flutuavam lírios delicados. Estavam ali o Sr. e a Sra. Elefante, os cangurus, as raposas, os leopardos, a pequena Senhorita Lince e o majestoso Cervo, todos animados sob o luar prateado.
: Está decidido!: anunciou o velho e sábio Sr. Tapir.: Meus amigos, vamos fazer um concurso de dança! Isso vai alegrar as nossas noites. Teremos a festa mais linda que já vimos, com música da orquestra dos animais e deliciosos quitutes preparados por todos.
O Sr. Tapir falou bastante, porque gostava de conversar e todos gostavam de ouvi-lo. Ele já tinha viajado para cidades distantes e sabia das coisas.
: Que discurso maravilhoso!: sussurravam os animais, encantados. A doce Senhorita Girafa até soltou uma lagriminha de emoção.
Logo começou uma disputa animada sobre quem seria a melhor dançarina. Dona Canguru foi a primeira a se gabar:
: O prêmio já é meu! Ninguém dança como eu. É só esticar a cintura, levantar o queixo e dar um belo salto!
: Ah, quando se trata de graça e velocidade: comentou a Sra. Leopardo, toda elegante :, tem algo no meu jeito de mover que ninguém consegue imitar.
Enquanto todos falavam alto, a Sra. Elefante ficava quietinha. Ela sempre foi conhecida como um animal bom, gentil e de confiança. Mas, no fundo do coração, ela guardava um sonho.
: Desta vez, eu vou me esforçar de verdade: disse ela baixinho, voltando para sua casa espaçosa debaixo das árvores.: Vou treinar com todo o carinho.
E assim ela fez. Todas as manhãs, a Sra. Elefante procurava seus amigos, os sapos, que cantavam suas melodias na sombra fresca. Ao som daquelas canções, ela praticava seus passos. No começo era difícil, e ela tropeçava um pouquinho. Mas, com paciência e dia após dia, criou uma dança leve e encantadora. Subia, descia e girava, girava e girava, guardando seu treino em segredo.
Finalmente, chegou a noite do grande baile. Tudo estava lindo, e havia muita comida gostosa para todos. A espertinha Dona Raposa, querendo vantagem, oferecia guloseimas sem parar:
: Coma mais um cachinho de bananas, minha querida!: dizia com um sorriso doce, torcendo para que os outros comessem demais e ficassem cansados demais para dançar.
Mas os animais logo perceberam a brincadeira. Agradeciam com gentileza e, em vez de exagerar, iam para um cantinho ajeitar os vestidos e ensaiar mais um pouquinho.
O espetáculo foi maravilhoso. Um a um, os animais mostraram seus passos. Então chegou a vez de Dona Canguru, tão confiante.
: Olha só, olha só!: sussurravam todos.
Ela se levantou orgulhosa e deu pulinhos para cima e para baixo. Mas, na hora do grande salto, se distraiu e: plaft!: caiu direitinho no meio dos lírios do lago! Ficou toda molhada e encabulada. Os amigos, com carinho, ajudaram-na a sair da água e a envolveram numa toalha quentinha.
: Não faz mal, Dona Canguru: disseram.: O importante é a gente se divertir juntos.
Então todos os olhares se voltaram para a Sra. Elefante.
: Sra. Elefante! Sra. Elefante!: gritava a plateia, animada.
Muito modesta, ela usava um vestido simples, com duas folhas de palmeira atrás das orelhas e um colar de florzinhas da lua. Parecia majestosa. A orquestra começou a tocar, e o Sr. Sapo soprou sua flautinha suave. Então a Sra. Elefante dançou.
Ela balançava as pernas uma de cada vez, fazia curvas graciosas, abanava as orelhas e girava a tromba no ritmo da música. Era tão bonito que o Sr. Tapir chamou de "dança majestosa". Quando a plateia já estava encantada, a música ficou alegre, e a Sra. Elefante convidou todos a cantar junto com ela. Os animais cantaram em coro, felizes da vida.
Claro que a Sra. Elefante ganhou o prêmio! E, com um sorriso doce, ela disse:
: Continuem praticando, queridos amigos. Eu só queria sentir que, com dedicação, ainda posso realizar meus sonhos. A determinação nos leva a qualquer lugar.
Moral da História
Com paciência, treino e um coração dedicado, a gente realiza sonhos que pareciam impossíveis. A humildade e o esforço valem mais do que a vaidade.