Como o Sapo Ganhou Seus Hematomas

Era uma vez, há eras e eras atrás, quando o sapo tinha a pele bem lisinha, sem nenhuma marca. Naquela época, ele adorava passear e nunca ficava em casa. Se havia uma festa em algum lugar, por mais longe que fosse, lá estava o sapo, disposto a ir.
Um belo dia, chegou um convite muito especial: uma grande festa lá no céu!
: Você nunca vai conseguir chegar a essa festa: disse o tatu, seu amigo.: Você sabe como é devagarinho aqui na terra. Como pretende subir até o céu?
: Espere só para ver!: respondeu o sapo, com um sorriso esperto.
Não muito longe dali morava um urubu, que tinha um lindo violino e adorava tocar. O sapo pulou até a casa dele e o encontrou tocando à porta.
: Bom dia, amigo urubu!: cumprimentou o sapo.: Você vai à festa no céu?
: Vou sim!: respondeu o urubu, animado.
: Que ótimo! Será que eu poderia ir junto com você?: pediu o sapo.
O urubu ficou encantado. Ninguém costumava querer sua companhia, e ele se sentiu muito feliz.
: Claro que sim! Vamos juntos! A que horas partimos?
: Às quatro horas: disse o sapo.: Venha até minha casa e traga o seu violino, por favor.
Pontualmente às quatro, o urubu chegou com o violino debaixo do braço.
: Ainda não terminei de me arrumar!: gritou o sapo lá de dentro.: Deixe o violino perto da porta e entre um pouquinho.
O urubu, confiante, apoiou o violino do lado de fora e entrou. Mas o sapo, muito danadinho, pulou pela janela e se escondeu bem quietinho dentro do violino!
Depois de esperar um tempão, o urubu se cansou.
: Que sapo demorado!: resmungou. Pegou o violino e voou rumo ao céu, sem imaginar que carregava um passageiro escondido.
Quando chegou à festa, todos ficaram surpresos ao verem o urubu com o violino. E, assim que ninguém estava olhando, o sapo saiu de dentro do instrumento, todo sorridente.
: Ah, então achavam que eu não viria?: riu ele.: Que surpresa eu preparei!
O sapo se divertiu muito na festa, comendo e dançando sem parar. Mas o urubu, ao descobrir a travessura, ficou um pouco magoado por ter sido enganado. Sem dizer nada, foi embora mais cedo: e, distraído, esqueceu o violino para trás.
Quando a festa acabou, o sapo pulou de volta para dentro do violino, esperando que o urubu o levasse de volta para casa. Esperou, esperou… mas ninguém aparecia. O coitado começou a ficar preocupado.
: Ai, ai, quem me dera não ter feito essa travessura!: pensou ele.
Foi então que um falcão passou por ali e viu o violino esquecido.
: Este violino é do urubu: disse ele.: Vou levá-lo de volta.
E lá se foi o falcão, voando com o violino nas garras, sem saber que o sapo estava lá dentro, todo sacudido pelo balanço. Mas o violino era pesado, e depois de um tempo o falcão se cansou.
: Puxa, está muito pesado! Vou deixar aqui embaixo, num lugar macio, que o urubu depois pega.
O falcão, com cuidado, procurou um capinzal fofinho e pousou o violino ali de mansinho antes de ir embora. Mesmo assim, com o solavanco da descida, o sapo se atrapalhou lá dentro e ganhou algumas marquinhas pelo corpo.
Quando finalmente conseguiu sair do violino, o sapo estava um pouco dolorido e cheio de manchinhas na pele. Voltou pulando devagar para casa, pensando no que tinha aprendido.
No dia seguinte, procurou o urubu e pediu desculpas de coração:
: Me perdoe, amigo. Eu te enganei, e isso não foi legal. Prometo que da próxima vez peço as coisas com sinceridade.
O urubu, que tinha um bom coração, aceitou as desculpas na hora, e os dois voltaram a ser amigos.
E é por isso que, até hoje, os sapos têm aquelas marquinhas pela pele. Elas lembram, com carinho, que é sempre melhor ser sincero do que sair enganando os amigos por aí.
Moral da História
Enganar os outros pode até parecer divertido na hora, mas o melhor caminho é sempre a sinceridade. Um pedido de desculpas verdadeiro conserta qualquer amizade.