Como o Rinoceronte Conseguiu Sua Pele

Era uma vez, numa ilha bem quentinha às margens do Mar Vermelho, vivia um homem muito bondoso e um pouco atrapalhado. Ele usava um chapéu tão brilhante que, quando o sol batia nele, cintilava de um jeito impressionante.
Nessa ilha, o homem tinha pouquíssimas coisas: seu chapéu reluzente, uma faca e um forno de cozinha: daqueles que a gente nunca, jamais deve tocar quando estão quentes.
Certo dia, ele resolveu fazer um bolo. Juntou farinha, água, passas, ameixas, açúcar e um montão de coisas gostosas, e preparou um bolo enorme, do tamanho de uma roda de carroça! Colocou-o para assar no forno, e o bolo foi ficando dourado, dourado, soltando um cheirinho de dar água na boca.
Mas, bem na hora em que ele ia dar a primeira mordida, apareceu na praia um Rinoceronte que vinha lá do interior da ilha. Ele tinha um chifre no nariz, dois olhinhos pequenos e… nenhuma boa educação.
Naquela época, a pele do Rinoceronte era lisinha e bem justa no corpo, sem nenhuma dobra. Ele parecia até um brinquedo de encaixe, só que bem maior.
: Ora!: resmungou o Rinoceronte, sem nem pedir licença.
O homem, ao ver aquele bicho enorme, tratou de subir depressa numa palmeira, levando só o seu chapéu brilhante. E o Rinoceronte, todo sem modos, empurrou o forno com o nariz, espetou o bolo no chifre e comeu tudo, tudinho, sem deixar uma migalha para o dono! Depois foi embora abanando o rabinho, satisfeito.
O homem desceu da palmeira e olhou para o forno vazio, um pouco chateado.
: Que bicho mal-educado!: disse ele.: Mas não fico bravo por muito tempo. Vou é pensar numa boa brincadeira para ensinar boas maneiras a ele.
Algumas semanas depois, fez um calor tão grande, mas tão grande, que todos na ilha resolveram tirar as roupas para se refrescar. O homem tirou o chapéu. E o Rinoceronte: pasmem!: tirou a própria pele! Naquela época, a pele dele abotoava embaixo da barriga com três botõezinhos. Ele a deixou dobradinha na areia e foi tomar um banho gostoso no mar, soprando bolhas pelo nariz.
Foi aí que o homem teve sua ideia travessa. Ele correu até seu acampamento e encheu o chapéu de migalhas de bolo velhas, sequinhas e que faziam a maior cosquinha. Depois, com todo cuidado, esfregou aquelas migalhas por dentro da pele do Rinoceronte, enchendo cada cantinho.
Feito isso, o homem subiu de novo na palmeira e ficou esperando, dando risadinhas.
Quando o Rinoceronte saiu da água, vestiu a pele e abotoou os três botões. Mas… nossa! Que coceira! As migalhas faziam cócegas por todos os lados!
O Rinoceronte se coçou, mas piorou. Deitou na areia e rolou, rolou, rolou: e quanto mais rolava, mais as migalhas faziam cosquinha. Então ele correu até a palmeira e começou a esfregar o corpo no tronco, com força, tentando parar aquela coceira.
De tanto esfregar, a pele dele foi ficando toda enrugada: uma dobra grande sobre os ombros, outra embaixo da barriga (e os botões acabaram caindo!), e mais dobras nas pernas. Mas as migalhas continuavam lá dentro, fazendo cosquinha.
Por fim, o Rinoceronte foi para casa emburrado e coçando, coçando sem parar. E é por isso, meu querido, que até hoje todo rinoceronte tem aquelas dobras enormes na pele e um jeitão meio ranzinza.
Quanto ao homem do chapéu brilhante, ele desceu da palmeira rindo à toa, guardou seu forno de cozinha e foi embora passear pela ilha, contente com a brincadeira. E, dizem por aí, o Rinoceronte nunca mais roubou o bolo de ninguém.
Moral da História
A boa educação faz falta em todo lugar. Quem pega as coisas dos outros sem pedir acaba se enrolando: melhor mesmo é pedir com jeitinho e dividir com os amigos.