Como a lua ganhou seu rosto

A lua é muito bonita, com seu rosto redondo e claro que espalha uma luz suave sobre o mundo inteiro. Mas nem sempre foi assim. Houve um tempo, muito antigo, em que a lua não era tão bela como é hoje.
Naquela época, o rosto da lua era escuro e sem brilho. Ninguém gostava de olhar para ela, e por isso ela vivia muito, muito triste.
Certo dia, ela desabafou com as flores e as estrelas, as únicas que ainda erguiam os olhos para ela.
: Eu não gosto de ser a lua: suspirou.: Queria ser uma estrela ou uma flor. Se eu fosse uma estrela, mesmo a menorzinha de todas, ao menos alguém olharia para mim. Se eu fosse uma flor num jardim, as pessoas me colocariam nos cabelos e elogiariam o meu perfume. Mas eu sou apenas a lua, e ninguém me admira.
As estrelas responderam com gentileza, mas sem saber como ajudar: : Não podemos sair do nosso lugar, querida lua. Nascemos aqui e aqui ficamos, brilhando todas as noites para deixar o céu mais bonito. É tudo o que sabemos fazer.
Então as flores sorriram docemente e disseram: : Nós também não sabemos como ajudar. Mas vivemos num jardim, ao lado da jovem mais bondosa do mundo. O nome dela é Tseh-N'io, e ela é gentil com todos os que precisam. Vamos contar a ela sobre você.
A lua ficou pensativa. Então, numa noite silenciosa, foi até a janela da bela Tseh-N'io. Assim que a viu, encantou-se com aquele rosto sereno e cheio de bondade.
: O seu rosto é lindo: disse a lua, com admiração.: Diga-me, como você ficou tão bela?
Tseh-N'io sorriu e respondeu com simplicidade: : Sempre vivi rodeada de pessoas gentis e felizes. Acredito que é isso o que faz alguém bonito por dentro e por fora: a bondade.
A partir daquela noite, a lua voltava sempre para conversar com a jovem. Batia de leve na janela, e Tseh-N'io vinha recebê-la com carinho. Quanto mais a lua conhecia aquele coração generoso, mais crescia a amizade entre as duas.
Um dia, Tseh-N'io teve uma ideia. Foi até a mãe e disse: : Mamãe, eu queria muito visitar a lua e brilhar ao lado dela, para cuidar do mundo lá de cima. A senhora me deixa ir?
E assim, com o coração cheio de sonhos, a jovem subiu para junto da lua. Sua mãe sentiu saudade, é verdade, mas, toda noite, ao olhar para o céu, encontrava consolo. Pois ali, no rosto claro e sorridente da lua, ela reconhecia a filha querida, velando por todos com sua luz mansa.
Desde então, o rosto da lua ficou bonito de verdade: alegre, brilhante, espalhando um brilho suave por toda parte. E há quem diga que a lua se parece com Tseh-N'io, a jovem mais bondosa que já viveu na Terra, cuja gentileza continua iluminando as noites do mundo inteiro.
Moral da História
A verdadeira beleza nasce da bondade do coração, e um gesto gentil pode iluminar o mundo como a luz da lua.