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Cantando a Verdade

Capa do livro de histórias Colorir e Desenhar

Há muito tempo, na grande cidade de Joanesburgo, na África do Sul, nasceu uma menina. Essa menina era eu. Minha mãe me deu o nome de Miriam. Miriam Makeba.

Minha mãe era curandeira, e também trabalhava muito, limpando e arrumando as casas de outras pessoas. Mesmo assim, era difícil ganhar o suficiente para cuidar de nós duas.

Naquele tempo, o país tinha leis muito injustas. Por causa de uma dessas leis, minha mãe precisou ficar longe de casa por um bom tempo. Eu era só um bebê de dezoito dias de vida e precisava dela pertinho de mim, então ficamos juntas até que pudéssemos voltar para casa. O amor entre nós nunca se apagou.

Desde pequenininha, eu adorava cantar. Cantava na igreja, e via como a música deixava as pessoas felizes. Quando cantávamos juntos, todos se sentiam mais corajosos e fortes. A música tem esse poder: ela une os corações das pessoas.

As pessoas diziam que a minha voz era um presente e que as minhas canções eram especiais. Comecei a cantar com outros músicos, e a nossa música viajou pelo mundo inteiro.

O meu lar era Sophiatown, um lugar cheio de cultura, música e alegria. Ali, as pessoas cantavam em harmonia e dançavam juntas, não importava a cor da sua pele.

Mas quem mandava no país, naquela época, não gostava dessa união. Achavam que pessoas de pele negra e de pele branca não deviam ser amigas. Eu sabia, no fundo do meu coração, que era errado tratar alguém de forma diferente só por causa da cor da pele.

Nunca escondi aquilo em que eu acreditava. Por isso, quando eu estava cantando muito longe, na América, me disseram que eu não poderia mais voltar para a minha terra natal. Fiquei com muita saudade de casa, mas não desisti.

Pessoas do mundo inteiro passaram a ouvir a minha história. As minhas canções ajudaram muita gente a entender que, na África do Sul, ainda faltava justiça para quem tinha a pele negra.

Então decidi: continuaria cantando e contando a verdade sobre o meu país, acontecesse o que acontecesse. O mundo abraçou a minha música. Fui recebida com carinho em muitos lugares, ganhei prêmios e cantei para pessoas importantes por todo o planeta.

Ainda assim, algo faltava no meu coração. Eu não podia cantar na minha própria terra, e o meu povo ainda não era livre.

Até que um dia maravilhoso chegou: Nelson Mandela se tornou presidente da África do Sul. As leis injustas ficaram para trás, e um tempo novo começou. Finalmente pude voltar para casa, com uma esperança enorme no peito.

A partir dali, cantei num país livre e justo, onde pessoas de todas as cores podiam aproveitar a música lado a lado. Ajudei a tornar isso possível porque fui corajosa, fui forte e nunca deixei de cantar a verdade.

Moral da História

A coragem de dizer a verdade e a força da música podem unir as pessoas e ajudar a construir um mundo mais justo para todos.