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Batalha dos Sapos e dos Ratos

Capa do livro de histórias Colorir e Desenhar

Era uma vez, num tempo em que os animais ainda sabiam falar, a terra dos sapinhos, governada pelo bondoso Rei Baiacão. Quando a primavera virou verão, o rei resolveu organizar uma grande festa junto ao lago.

Todos vestiram suas melhores roupas e desfilaram alegremente até a tenda enfeitada. Na frente iam o Rei Baiacão, sua esposa e seus filhos, todos muito animados. O rei abriu a festa com um discurso caprichado e logo começaram as brincadeiras: os melhores cantores do junco cantavam lindamente, enquanto os outros convidados dançavam a divertida dança do mosquito.

No meio da alegria, um sapinho chegou correndo, sem fôlego.

: Majestade!: disse ele.: Vi cinco visitantes estranhos vindo da floresta vizinha!

Na mesma hora, o Rei Baiacão chamou o seu general.

: Vá com dez soldados receber esses visitantes: ordenou o rei.: Se vierem em paz, convide-os para a nossa festa.

Os soldados foram depressa até a beira do lago. Os visitantes levaram um susto ao serem cercados por dez sapos, mas logo perceberam que ninguém queria briga. O mais importante deles fez uma reverência educada.

: Aceito o convite com muito prazer!: disse ele.: Por favor, digam ao seu rei que eu, Pega-migalhas, príncipe dos ratos, ficarei muito feliz em comparecer.

Acompanhados pelos soldados, os ratos chegaram à festa acenando com os rabinhos. Ao ver o Rei Baiacão, o príncipe tirou o chapéu e gritou:

: Viva o Rei Baiacão!

O rei gostou tanto da simpatia que pediu ao príncipe que contasse sobre a sua terra.

: Eu sou o filho mais novo do Rei Rói-que-rói: começou o ratinho.: A nossa capital chama-se Ratópole e fica do outro lado da floresta. Nem sempre é fácil viver lá, pois precisamos nos desviar das corujas e das raposas.

: Aqui também temos que ser espertos com as cegonhas: respondeu o Rei Baiacão.: Mas não vamos falar de coisas tristes! Venha conhecer o meu castelo, do outro lado do lago.

: Eu iria com gosto: disse Pega-migalhas, envergonhado :, mas não sei nadar.

: Ora, isso não é problema!: riu o rei.: Você pode ir montado nas nossas costas.

E assim, cada ratinho subiu nas costas de um sapo e, plaft!, lá se foram todos pela água. Os ratos estavam um pouco nervosos, mas se seguravam firme. De repente, uma grande cobra-d'água apareceu na superfície! Os sapos, tomados de susto, mergulharam todos de uma vez, sem querer.

: Socorro! Não sei nadar!: gritou Pega-migalhas, se debatendo na água.

Por sorte, os soldados sapos, ao verem o príncipe em apuros, voltaram depressa e o empurraram até a margem, são e salvo. O ratinho ficou encharcado, tremendo e muito assustado.

: Que susto!: disse ele, respirando fundo.: Pensei que fossem me deixar cair de propósito!

Quando o Rei Rói-que-rói soube que seu filho tinha passado por aquele perigo, ficou muito bravo, achando que os sapos o haviam abandonado de propósito.

: Isso não vai ficar assim!: declarou o rei dos ratos, sem nem ouvir a história direito.: Vamos mostrar aos sapos que estamos zangados!

E mandou uma mensagem cheia de raiva ao Rei Baiacão. Os sapos, sem entender o motivo de tanta bravura, se reuniram à beira do rio. Os dois reinos ficaram frente a frente, batendo tambores, gritando e fazendo o maior alvoroço, cada um tentando parecer mais valente que o outro. Era muito barulho e nenhuma amizade!

Foi então que um velho e sábio lagostim saiu de dentro do rio, andando de ladinho.

: Esperem, esperem!: pediu ele, erguendo as pinças.: Vocês estão brigando à toa! Ninguém quis fazer mal a ninguém. Foi tudo um grande engano por causa de um susto.

Os dois reis pararam para escutar.

: É verdade?: perguntou o Rei Rói-que-rói.: Ninguém quis machucar o meu filho?

: Claro que não!: respondeu o Rei Baiacão.: Nós o salvamos da água! Só mergulhamos de susto por causa da cobra.

O príncipe Pega-migalhas se adiantou.

: É isso mesmo, pai. Os soldados sapos me levaram até a margem. Eu estava só assustado, e acabei pensando besteira.

Os dois reis se olharam, envergonhados de terem feito tanto barulho por causa de um mal-entendido. O Rei Rói-que-rói estendeu a patinha.

: Perdoe-me, amigo. Eu me zanguei antes de conhecer a verdade.

: E eu prometo: sorriu o Rei Baiacão: que nunca mais deixaremos um convidado passar sozinho por um perigo desses.

Todos comemoraram, e o velho lagostim foi aplaudido como o herói do dia. Os ratos voltaram felizes para o seu reino no campo, os sapos continuaram cuidando das águas, e nunca mais deixaram um pequeno susto virar uma grande briga.

Moral da História

Antes de ficar bravo, é bom escutar toda a história: muitas brigas nascem de um simples engano. E conversar sempre resolve melhor do que gritar.