Baba Yaga

Era uma vez um casal que morava numa casinha na beira da floresta. Eles se amavam muito, mas tinham um único sonho: ter um filho para encher a casa de risadas.
Um dia, enquanto o marido estava fora, a esposa colocou um pedacinho de madeira dentro do berço e, brincando, começou a embalá-lo e a cantar uma canção de ninar, como se fosse um bebê de verdade.
Quando ela olhou de novo, mal pôde acreditar: o pedaço de madeira tinha ganhado bracinhos e perninhas! Cheia de alegria, ela cantou com ainda mais carinho. E, num instante, ali estava um lindo menininho, sorrindo no berço.
: Um filho!: disse a mulher, com os olhos cheios de lágrimas de felicidade.: Vou chamá-lo de Pedro.
Ela costurou para ele um casaquinho, um gorro e sapatinhos, e cuidou dele com todo o amor do mundo. Pedro cresceu esperto e alegre.
Um dia, já maiorzinho, Pedro pegou seu barquinho e foi pescar no rio. Ao meio-dia, a mãe desceu até a margem e chamou com voz doce:
: Pedro, Pedro, traga o barco para a beira, que eu trouxe um bolinho quentinho para você!
Então Pedro disse:
: Barquinho, barquinho, chegue mais pertinho.
O barco deslizou até a margem, Pedro pegou o bolinho e voltou a pescar, feliz da vida.
Só que, escondida entre os arbustos, estava a Baba Yaga, uma bruxa muito enrolada, que ouviu tudo. Assim que a mãe foi embora, ela se aproximou e chamou com sua voz rouca e áspera:
: Pedro, Pedro, traga o barco para a beira!
Mas Pedro percebeu na hora que aquela voz não era a de sua mãe.
: Barquinho, barquinho, vá para mais longinho: disse ele, espertinho.
E o barco se afastou, bem fora do alcance da bruxa. Baba Yaga ficou emburrada e correu até o ferreiro para pedir uma voz fininha e suave como a de uma mãe.
Com a nova voz, ela voltou ao rio e chamou docemente:
: Pedro, Pedro, traga o barco para a beira!
Dessa vez, Pedro pensou que fosse sua mãe e trouxe o barquinho. Mas, ao pisar na margem, a Baba Yaga o pegou pela mão e correu com ele pela floresta, até chegar à sua casinha, que se equilibrava sobre patas de galinha e girava com o vento. Lá, trancou Pedro num quartinho nos fundos.
Dentro da casa vivia um gatinho magrinho e tristonho.
: Senhora: miou o gato :, eu preparei o jantar. Será que a senhora me dá um pouquinho de comida?
: Coma só o que eu deixar: resmungou a Baba Yaga, que comeu quase tudo e deixou apenas uma migalha para o gato.
Enquanto isso, em casa, a mãe esperava e esperava. Preocupada, foi até o rio e encontrou o barquinho vazio e pegadas estranhas na lama.
: Uma bruxa levou o meu Pedro!: soluçou ela, voltando para casa aflita.
A família tinha uma jovem empregada muito boa e corajosa. Ao ver a patroa chorando, ela perguntou o que havia acontecido e logo se ofereceu:
: Não perca a esperança, senhora. Me dê só um bolinho para dar forças, que eu vou encontrar o Pedro, nem que seja no fim do mundo.
A moça caminhou por muito tempo até chegar à casinha das patas de galinha. Bateu na porta, e a Baba Yaga abriu.
: O que você quer?: grunhiu a bruxa.
: Estou procurando trabalho: respondeu a moça, com coragem.
: Então entre e limpe a casa. Mas nada de bisbilhotar!: avisou a bruxa, saindo voando numa vassoura para a floresta.
Assim que a Baba Yaga saiu, o gatinho se aproximou.
: Por favor, me dá um pouquinho de comida? Estou com muita fome: pediu.
: Claro: sorriu a moça.: Tenho só este bolinho, mas é todo seu.
O gato comeu cada migalhinha, agradecido, e ronronou.
: Você tem um bom coração: disse ele.: Eu sei por que veio: quer salvar o menino Pedro. Ele está trancado lá nos fundos. Escute: quando a bruxa dormir, é só passar um pouquinho de piche nas pálpebras dela. Assim ela vai demorar a abrir os olhos, e você poderá fugir com o menino pela floresta.
A moça agradeceu e prometeu seguir o conselho. Quando a bruxa voltou e adormeceu roncando, a jovem passou o piche nas pálpebras dela com todo o cuidado, correu até Pedro e o soltou.
: Vamos, Pedro, sua mãe está te esperando!: sussurrou ela.
E os dois fugiram juntos pela floresta. Quando a Baba Yaga acordou, seus olhos estavam grudados e ela não conseguia abri-los. Furiosa, chamou o gato:
: Rápido, me ajude a abrir os olhos!
: Isso eu não faço: respondeu o gato, calmo.: Todo esse tempo a senhora só me deu migalhas e palavras ríspidas. A moça, não: ela me deu comida e um carinho. A ela eu ajudo; a senhora, não.
E, dizendo isso, o gatinho saiu correndo, feliz, para viver na floresta. A moça e Pedro chegaram em casa sãos e salvos. Você pode imaginar a alegria da mãe ao abraçar seu filho de volta!
Quanto à Baba Yaga, dizem que ela ficou tanto tempo esfregando os olhos que desistiu de suas travessuras e nunca mais incomodou ninguém.
Moral da História
A bondade constrói amigos verdadeiros, enquanto a rispidez afasta até quem está por perto. E a coragem de um bom coração é capaz de vencer qualquer dificuldade.