As rãs que desejavam um rei

Numa lagoa tranquila vivia um grupo de rãs que tinha tudo para ser feliz. Elas eram livres para nadar, pular e coaxar o dia inteiro, do jeitinho que quisessem.
Mas, com o tempo, as rãs foram ficando entediadas. Tanta liberdade acabou deixando-as um pouco mimadas. Elas passavam o dia sentadas nas folhas, coaxando de tédio, achando que faltava alguma coisa.
: Nós queremos um rei!: decidiram.: Um rei importante, com muita pompa, que mande na gente e faça a nossa vida ter mais graça!
Então enviaram um pedido lá para o alto, para Júpiter, o rei dos céus, implorando que lhes desse um governante.
Júpiter olhou lá de cima e balançou a cabeça, achando graça daquelas criaturinhas tão bobinhas. Para deixá-las contentes, ele jogou na lagoa um enorme tronco de madeira, que caiu na água com um estrondo tremendo: PLOFT!
Assustadas com o barulho, as rãs correram para se esconder no meio dos juncos e do capim, tremendo de medo. "Que rei gigante e terrível!", pensavam elas. Mas logo perceberam que o tal Rei Tronco era manso, quietinho e não fazia mal a ninguém.
Em pouco tempo, as rãs mais jovens já usavam o tronco como trampolim para mergulhar, e as mais velhas o transformaram em ponto de encontro. E lá começaram de novo a reclamar bem alto para Júpiter:
: Que rei mais sem graça! Ele não faz nada, não manda em nada! Queremos um rei de verdade, cheio de energia!
Júpiter suspirou e resolveu dar às rãs uma boa lição. Dessa vez, mandou para a lagoa uma Garça de pernas longas para ser a rainha da Terra das Rãs.
A Garça era bem diferente do calmo Rei Tronco. Ela era rígida e mandona! Andava de um lado para o outro com seu bico comprido, dando ordens o dia inteiro:
: Silêncio! Nada de mergulhos! Nada de brincadeiras! Fiquem todas enfileiradas!
As pobres rãs não podiam mais nadar à vontade, nem coaxar suas canções, nem pular felizes pela lagoa. Viviam encolhidas e assustadas, com saudade dos tempos livres e alegres.
Cheias de arrependimento, elas ergueram os olhos para o céu e imploraram:
: Ó, poderoso Júpiter! Por favor, leve embora essa rainha tão severa! Só queremos voltar a viver em paz, do nosso jeitinho.
Então a voz de Júpiter ecoou lá do alto:
: Como assim? Ainda não estão contentes? Vocês pediram um rei e depois outro. Eram tão livres e felizes, mas não souberam valorizar o que tinham. Agora aprenderam a lição: às vezes, o maior presente é aquilo que já temos.
E as rãs, mais sábias, prometeram nunca mais reclamar da própria alegria: e voltaram, com o tempo, a saltitar felizes pela lagoa.
Moral da História
Devemos valorizar o que já temos, em vez de viver desejando o que não conhecemos. Muitas vezes, a nossa maior riqueza está bem debaixo dos nossos olhos.