As duas cabras

Numa manhã ensolarada, duas cabritas brincavam alegremente pelas encostas rochosas de um vale nas montanhas. Elas pulavam de pedra em pedra, sacudiam os rabinhos e balançavam os chifrinhos, felizes da vida.
Sem perceber, cada uma seguiu por um caminho diferente e, de repente, se encontraram: uma de cada lado de um abismo fundo, no fundo do qual corria um riacho de águas geladas e barulhentas.
Sobre o abismo havia apenas um tronco caído, servindo de ponte. Era tão estreito que nem dois esquilinhos passariam lado a lado! Qualquer um pensaria duas vezes antes de atravessar por ali.
Mas as nossas cabritas eram muito teimosas. Nenhuma delas queria esperar a outra passar primeiro.
: Sai da frente, que eu vou primeiro!: disse uma.
: De jeito nenhum, eu cheguei antes!: respondeu a outra.
E, sem pensar direito, as duas subiram no tronco ao mesmo tempo. Foram caminhando, caminhando, até que se encontraram bem no meio, chifre com chifre. Nenhuma queria dar um passo para trás.
: Passa você!: disse uma, empurrando.
: Passa você!: disse a outra, empurrando também.
Empurra daqui, empurra dali, e… ploc! As duas escorregaram e caíram bem dentro do riacho gelado! Splash! Ficaram encharcadas da cabeça às patas, tremendo de frio e assustadas com o susto.
Por sorte, o riacho ali era rasinho. As duas cabritas se levantaram, todas molhadas e pingando, e se olharam envergonhadas.
: Ai, que fria!: disse uma, batendo os dentes.
: Se a gente tivesse esperado a vez, nada disso teria acontecido: reconheceu a outra.
Então, ajudando uma à outra, saíram da água e se secaram ao sol. Dali em diante, sempre que chegavam a uma ponte estreita, uma dizia com um sorriso:
: Pode passar primeiro, amiga. Eu espero!
E assim atravessavam com calma, sequinhas e felizes.
Moral da História
Quando insistimos em ser sempre os primeiros e não cedemos a vez ao outro, acabamos todos se dando mal. Um pouquinho de paciência e gentileza evita muitos apuros.