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Allerleirauh

Capa do livro de histórias Colorir e Desenhar

Era uma vez um bom rei que tinha uma esposa muito querida, de cabelos dourados e sorriso caloroso. Juntos, tiveram uma filha linda, de cabelos dourados como os da mãe. Mas, quando a menina ainda era pequena, a rainha adoeceu e partiu, deixando saudade em todo o palácio.

O rei ficou tão triste que passava os dias fechado em seus aposentos. Sem querer, acabou esquecendo de dar atenção à filha, que crescia sozinha pelos corredores, sentindo falta de um abraço.

Por sorte, a princesa tinha uma fada protetora, gentil e sábia, que a visitava nas noites de lua. "Minha querida", disse a fada um dia, "há um mundo enorme lá fora esperando por você. Talvez esteja na hora de descobrir a sua própria força e o seu próprio caminho."

A princesa pensou e pensou. Ela amava o pai, mas sentia que precisava aprender a se virar sozinha e a encontrar a própria felicidade. Com o coração batendo forte, decidiu partir para conhecer o mundo.

A fada, então, deu-lhe três presentes mágicos: um anel de ouro, uma pequena roca de fiar dourada e um fuso de ouro. "Quando você precisar de ajuda ou de sucesso, use um destes. E leve também isto", disse a fada, entregando uma casquinha de noz.

Dentro da noz cabiam, por encanto, três mantos maravilhosos: um que brilhava como as estrelas, outro que reluzia como a lua e um terceiro tão quente e dourado quanto o sol. Por fim, a fada deu à princesa um simples manto feito de retalhos de muitas peles, para que ela viajasse sem ser reconhecida.

"Vá com cuidado, minha filha, e confie na sua coragem", despediu-se a fada. A princesa vestiu o manto de peles, cobriu o rosto com um pouco de fuligem e caminhou até uma grande floresta, onde dormiu aconchegada dentro de uma árvore oca.

Na manhã seguinte, um jovem rei de um reino vizinho passou por ali caçando. Seus cães encontraram a menina adormecida. "Que criatura curiosa!", disseram os caçadores. Como ela estava toda coberta de peles remendadas, apelidaram-na carinhosamente de Allerleirauh, que quer dizer "de muitas peles".

A princesa não quis revelar quem era. Pediu apenas um cantinho para dormir e um trabalho para fazer. Assim, foi trabalhar na cozinha do castelo, varrendo cinzas e ajudando a cozinheira. Falava pouco, mas era esforçada e boa.

Um dia, o castelo preparou um grande baile. "Cozinheira, será que eu posso só espiar a festa por um instante?", pediu Allerleirauh, timidamente. A cozinheira concordou.

Ligeirinha, a menina lavou a fuligem do rosto e das mãos, tirou o manto de peles e abriu a casquinha de noz. Vestiu o manto que brilhava como as estrelas e, de repente, sua beleza reapareceu. Quando entrou no salão, todos pensaram tratar-se de uma princesa de terra distante.

O jovem rei dançou com ela a noite inteira, encantado com sua graça e simpatia. Ele também era alegre e gentil, e os dois riram muito juntos. Mas, quando a música terminou, a moça saiu depressa e ninguém viu para onde foi. Rapidinho, ela voltou a vestir o manto de peles e a cobrir o rosto de fuligem.

Na cozinha, a cozinheira pediu que ela preparasse uma sopa. Como Allerleirauh nunca tinha feito sopa antes, pediu ajuda ao seu anel de ouro: e, sem querer, deixou o anelzinho cair na panela. O rei, ao provar aquela sopa deliciosa, encontrou o anel e ficou pensativo.

Houve um segundo baile. Desta vez, Allerleirauh vestiu o manto que reluzia como a lua e dançou de novo com o rei, que ficou ainda mais encantado. Ao voltar para a cozinha, ela preparou outra sopa e, dessa vez, a roca de fiar dourada acabou dentro da panela.

Quando chegou o terceiro baile, a menina vestiu o manto dourado como o sol, o mais lindo de todos. O jovem rei dançou com ela e, com muito jeitinho, deslizou um anel em seu dedo, dizendo: "Não quero mais que você desapareça." Ela sorriu, mas fugiu depressa outra vez.

Só que, desta vez, não teve tempo de esconder tudo. Ao levar a sopa ao rei, deixou cair o fuso de ouro. E o rei percebeu um raio dourado brilhando por baixo do velho manto de peles. Com muita delicadeza, tocou a mão dela e reconheceu o próprio anel em seu dedo.

"É você!", exclamou o rei, feliz. Allerleirauh limpou a fuligem, deixou o manto de peles escorregar dos ombros e ficou radiante em seu manto de sol. O rei, encantado com sua coragem e seu coração, pediu-a em casamento: e ela, que agora conhecia a própria força, aceitou com alegria.

Mas a princesa não havia esquecido o pai. Antes do casamento, mandou um recado até o reino de origem. O bom rei, que já havia superado a tristeza, chegou com os braços abertos. "Perdoe-me por ter ficado tão distante quando você mais precisava", disse ele, emocionado. "Fico tão feliz de ver que você encontrou o seu caminho e a sua felicidade."

Pai e filha se abraçaram longamente. A fada protetora, sorrindo de longe, sentiu o coração aquecido. E assim, os dois reinos passaram a viver em paz e amizade, e todos foram muito felizes para sempre.

Moral da História

Às vezes precisamos ter coragem de descobrir nossa própria força; e o amor da família, mesmo depois de tempos difíceis, sempre encontra o caminho de volta.