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A rena que não sabia voar

Capa do livro de histórias Colorir e Desenhar

Era uma vez, num vale coberto de neve, uma pequena rena chamada Estrela. Ela tinha olhos grandes e brilhantes e um coração muito gentil.

Estrela vivia com toda a sua família de renas no alto das montanhas. Ali acontecia uma coisa mágica: nas noites de inverno, as renas abriam as patas, davam um pulinho e voavam pelo céu para levar mantinhas quentes e cestas de comida aos animais que moravam do outro lado do vale gelado.

Só que Estrela guardava um segredo. Ela tinha muito medo de voar. Toda vez que via as amigas subindo para o céu estrelado, seu coração batia forte e suas patas tremiam.

: Vem com a gente, Estrela!: chamavam as outras renas.

: Hoje... hoje eu fico aqui: respondia ela baixinho, escondendo o focinho na neve.

Estrela tentava disfarçar o medo, mas as amigas percebiam em seus olhos. Às vezes, uma ou outra caçoava: "Rena medrosa!". E Estrela se sentia sozinha e envergonhada.

Certa noite, chegou uma nevasca diferente. Uma névoa espessa e branca cobriu todo o vale, e ninguém conseguia enxergar o caminho.

A rena mais velha, chamada Aurora, reuniu a família e disse com voz mansa:

: Os animais do outro lado do vale estão com frio e com fome, esperando por nós. Mas, com essa névoa, precisamos de alguém de olhos calmos e coração corajoso para nos guiar.

Todos se entreolharam, sem saber o que fazer. Foi então que Aurora se virou para Estrela.

: Seus olhos são os mais brilhantes de todos nós, pequena. E quem tem um coração tão gentil sempre acaba encontrando o caminho certo.

Estrela engoliu em seco.

: Mas... eu tenho medo de voar: sussurrou.

: Ter medo não é problema nenhum: respondeu Aurora, com carinho.: Corajoso não é quem nunca sente medo. É quem cuida dos outros mesmo sentindo.

Estrela respirou bem fundo. Pensou nos animais tremendo de frio, esperando por ela. Devagarinho, abriu as patas, deu um pulinho... e voou!

No começo tremeu um pouco. Mas logo sentiu o vento macio no rosto e percebeu que, com seus olhos brilhantes, conseguia enxergar uma trilha de luar por entre a névoa.

: Por aqui! Sigam-me!: chamou Estrela, cada vez mais confiante.

Guiando toda a família pelo céu, Estrela levou as mantinhas quentes e as cestas de comida até os animais do outro lado do vale. Como todos ficaram felizes e agradecidos!

Naquela noite, Estrela voltou para casa voando com alegria, lado a lado com as amigas. Ela havia descoberto que era especial do seu próprio jeito: e que a coragem mora dentro de quem se importa com os outros.

E nunca mais teve medo de abrir as patas e voar.

Moral da História

A coragem não é a ausência do medo, mas a vontade de ajudar mesmo quando estamos com medo. Cada um de nós tem um dom especial que brilha na hora certa.