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A porquinha

Capa do livro de histórias Colorir e Desenhar

: Eu não vou tomar banho! Eu não vou tomar banho!: gritava a pequena Betty, esperneando e fugindo da mãe.

: Se é assim, é melhor você ir morar com os porquinhos, sua sujeirinha: disse a mãe, cansada, esfregando as mãozinhas encardidas da filha.

: Ah, se eu pudesse! Eu adoro ficar suja!: respondeu Betty, teimosa, jogando a esponja pela janela e escondendo o sabonete debaixo da mesa.

A mãe, sem forças para discutir, colocou Betty na cama e pediu que ela dormisse. Mas a menina ficou pensando: "Vou embora morar com os porquinhos da dona Gleason. Lá eu só vou comer, dormir, rolar na terra e nunca, nunca mais tomar banho!"

E foi o que ela sonhou que fez. No sonho, saiu de mansinho pela porta dos fundos, atravessou o jardim e chegou ao chiqueiro, onde dois porquinhos dormiam na palha. Betty se enfiou num cantinho, achando graça de como seria divertido viver ali, sem ninguém para lhe dizer "vista uma roupa limpa, querida!".

Nos primeiros dias, achou tudo uma maravilha. Comia quando queria, dormia o quanto queria, sem escola e sem tarefas. Rolava na lama, brincava com os gatos ao luar e não penteava o cabelo nem lavava o rosto.

Mas o tempo foi passando, e Betty começou a mudar. Ficou toda encardida, com o cabelo embaraçado e as mãos que mais pareciam patinhas. Já quase não falava: só grunhia como os porquinhos! E, quando chegou o outono, veio o friozinho. Aí ela começou a sentir falta da sua camisola quentinha, de comida gostosa e de uma lareira aconchegante para se aquecer.

Numa noite bem fria, encolhida entre os porcos para não passar frio, Betty ouviu o senhor Gleason conversando com o filho lá fora e teve um susto e tanto ao perceber que já não sabia mais direito o que era ser menina.

: Ai, meu Deus, o que será de mim?: pensou ela, apavorada.: De tanto brincar de porquinha, quase virei uma! Chega! Prefiro tomar cem banhos por dia a continuar assim!

E foi correndo para casa. Passou pela porta dos fundos, subiu até o quarto e, ao se olhar no espelho, levou o maior susto: viu uma criaturinha suja, despenteada e cheia de lama.

: Será que sou eu mesma? Que horror!: exclamou.

Na mesma hora, pulou na banheira e se esfregou bem esfregadinho. Vestiu uma roupa limpa, penteou o cabelo, cortou as unhas e voltou a parecer uma menininha arrumada. Depois, deitou na sua caminha macia, com a colcha rosa, e dormiu em paz.

: Acorde, meu amor!: chamou a mãe, com um beijinho na bochecha.: Veja o vestido novo que comprei para você!

Betty abriu os olhos, olhou em volta e percebeu: estava na sua caminha quentinha, o tempo todo! Tinha sido só um sonho.

: Que bom que foi só um sonho!: disse ela, aliviada e sorridente.: E olha que sonho bom, porque agora eu adoro tomar banho! Pode ensaboar e esfregar bem, mamãe. Prometo que nunca mais vou espernear!

Moral da História

Nem sempre percebemos como é bom sermos cuidados. Um banho quentinho, uma roupa limpa e um lar aconchegante são carinho de quem nos ama. Vale a pena valorizar esses cuidados: eles nos deixam saudáveis, cheirosos e felizes.