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A Pequena Bo Peep Perdeu Suas Ovelhas

Capa do livro de histórias Colorir e Desenhar

Nas belas colinas verdes e ondulantes do campo, pastavam muitos rebanhos de ovelhas, cuidados por pastores e pastoras. Um desses rebanhos pertencia a uma senhora bondosa, que sustentava a si mesma e à sua filhinha cuidando das ovelhas.

Elas moravam numa casinha aconchegante, aninhada ao pé de uma colina. Toda manhã, a mãe pegava seu cajado de pastora e levava as ovelhas para pastarem a grama fresca e macia que crescia nas encostas.

A filhinha quase sempre acompanhava a mãe e sentava-se ao seu lado nos montinhos de grama, observando com atenção como ela cuidava das ovelhas e dos cordeirinhos. Assim, com o tempo, a menina também aprendeu a ser uma pastora muito habilidosa.

Por isso, quando a mãe ficou velha e cansada demais para subir as colinas, a Pequena Bo-Peep, como todos a chamavam, decidiu que já era capaz de cuidar do rebanho sozinha.

Bo-Peep era uma criança pequenina, de cachos castanhos esvoaçantes e grandes olhos cinzentos que encantavam a todos. Usava um vestidinho cinza-claro, com uma faixa cor-de-rosa na cintura, babados brancos no pescoço e fitas rosadas nos cabelos. Todos os pastores das colinas a conheciam e sempre estavam prontos a ajudá-la, se ela precisasse.

Bo-Peep costumava levar suas ovelhas para uma colina alta acima da casinha e as deixava comer a grama enquanto ela mesma se sentava num montinho. Deixando de lado o cajado e o chapéu de palha de fitas cor-de-rosa, passava o tempo costurando e remendando as meias da mãe.

Certo dia, enquanto costurava, ouviu uma voz ao seu lado:

: Bom dia, Pequena Bo-Peep!

Ao erguer os olhos, a menina viu uma velhinha apoiada num pequeno bastão. Ela estava toda curvadinha, com cabelos brancos como a neve e olhos escuros e brilhantes. Não era das mais bonitas de se ver, mas Bo-Peep aprendera a ser sempre educada com os mais velhos e respondeu, docemente:

: Bom dia, senhora. Posso ajudá-la em alguma coisa?

: Não, querida: respondeu a velhinha, com voz rouca e simpática.: Mas vou me sentar aqui ao seu lado para descansar um pouquinho.

A menina abriu espaço no montinho, e a estranha sentou-se, observando em silêncio os dedinhos ágeis de Bo-Peep costurarem a barra de um vestido novo. Depois de um tempo, perguntou:

: E por que você vem costurar aqui fora?

: Porque sou pastora: respondeu a menina.

: Mas onde está o seu cajado?

: Aqui na grama, do meu lado.

: E onde estão as suas ovelhas?

Bo-Peep olhou ao redor e... não as viu em lugar nenhum!

: Devem ter subido até o alto da colina: disse ela.: Vou procurá-las já!

: Não tenha pressa: disse a velhinha, tranquila.: Elas voltam sozinhas, você vai ver. As ovelhas não conhecem você?

: Conhecem, sim! Todas me conhecem.

: E você conhece bem suas ovelhas?

: Ah, sei o nome de cada uma!: disse Bo-Peep, cheia de confiança.: Mesmo sendo uma pastora tão jovem, amo minhas ovelhas e sei tudo sobre elas.

A velhinha soltou uma risadinha, como se algo a divertisse muito.

: Minha querida, ninguém sabe absolutamente tudo sobre nada.

: Mas eu sei tudo sobre as minhas ovelhas!: insistiu Bo-Peep.

: Será mesmo? Então, se você sabe tudo, também sabe que elas voltarão abanando os rabinhos, como sempre fazem.

Bo-Peep arregalou os olhos, surpresa:

: Abanando os rabinhos? Ora essa, eu nunca reparei nisso!

: Nunca?: sorriu a velhinha.: Então, para quem sabe tudo sobre ovelhas, você é bem pouco observadora. Que tal ir procurá-las e reparar direitinho?

A velhinha se levantou e começou a subir a colina devagar.

: Fique aqui sossegada, pequena: disse.: Eu mesma vou lá em cima buscar suas ovelhas.

E, enquanto se afastava, Bo-Peep a ouviu cantarolar baixinho:

"Bo-Peep perdeu o seu rebanho e não sabe onde ele está. Deixe as ovelhas em paz, pois logo, logo elas voltam, com os rabinhos a abanar."

A menina ficou observando a velhinha sumir no topo da colina. "Daqui a pouco vejo as ovelhas voltando", pensou. Mas o tempo passou, passou, e nada do rebanho aparecer. Bo-Peep começou a ficar com sono e cochilou um pouquinho.

Quando acordou, o rebanho ainda não tinha voltado. Já era hora do almoço, então ela abriu sua cestinha e comeu o pão, o queijo e os biscoitos que trouxera. Bebeu um gole de água fresca de uma fonte ali perto e decidiu não esperar mais. Pegou o cajado e subiu a colina, determinada a encontrar suas ovelhas.

Lá do alto, porém, não havia sinal delas: apenas um vale verde e outra colina mais adiante. Agora sim preocupada, Bo-Peep correu vale abaixo e subiu a próxima encosta. Ofegante e cansadinha, chegou ao topo e olhou para baixo.

E lá estavam elas! Todo o rebanho pastando calmamente na relva macia, mansinhas e inocentes, como se nunca tivessem se afastado. Bo-Peep deu um gritinho de alegria e correu até as ovelhas. Mas, ao chegar perto, parou de repente, olhando espantada. Onde deveria estar o rabo de cada ovelha, havia apenas um toquinho pequenininho!

A menina, coitada, sentou-se ao lado das ovelhas e ficou triste, achando que elas tinham perdido os rabos. Foi então que a velhinha se aproximou de novo, mancando devagar.

: Então você achou suas ovelhas, querida: disse ela.

: Achei: respondeu Bo-Peep, um pouco choramingando.: Mas olhe! Todas estão sem rabo!

: Ora, ora: disse a velhinha, começando a rir com carinho.: E o que você acha que aconteceu com os rabinhos delas?

: Não sei...: disse a menina, pensativa.

A velhinha então sentou-se ao lado dela e falou com muita doçura:

: Minha pequena, deixe eu lhe contar um segredinho: as ovelhas nunca tiveram rabos compridos! Elas sempre tiveram só esse toquinho no lugar do rabo. Você disse que sabia tudo sobre suas ovelhas, mas, se fosse bem observadora, teria reparado nisso quando falei que elas voltariam abanando os rabos. Assim, não teria ficado triste à toa.

Bo-Peep abriu um sorriso, aliviada e surpresa.

: É verdade!: disse ela.: Eu tinha certeza de que sabia tudo, e afinal ainda tinha muito o que aprender!

: Isso mesmo, querida: disse a velhinha, dando um tapinha carinhoso na cabeça da menina.: Por mais que a gente saiba, sempre há coisas novas para descobrir no mundo. Agora volte para casa tranquila: suas ovelhas nunca vão sentir falta de rabos que nunca tiveram!

Bo-Peep abraçou a velhinha, agradeceu a boa lição e, feliz da vida, guiou seu rebanho de volta pela colina. Desde aquele dia, tornou-se a pastora mais atenta e observadora de todas, sempre reparando com carinho em cada detalhe das suas queridas ovelhinhas.

Moral da História

Por mais que a gente pense saber tudo, sempre há algo novo para aprender. Quem é humilde e observador descobre as coisas com alegria, e não se aflige à toa.