A noiva do coelho

Era uma vez uma mulher que morava com a filha numa casinha ao lado de uma linda horta de repolhos. Só que um coelho vivia entrando na horta e comendo todos os repolhos!
Um dia, a mulher pediu à filha:
: Vá até a horta e enxote esse coelho, minha filha.
A menina foi e disse:
: Xô, xô! Não coma todos os nossos repolhos, coelhinho!
: Venha, menina: respondeu o coelho.: Sente no meu rabinho e vamos juntos para a minha toca.
Mas a menina não quis.
No outro dia, o coelho voltou e comeu mais repolhos. E a mulher pediu de novo:
: Vá lá e enxote o coelho.
: Xô, xô! Não coma os nossos repolhos, coelhinho!: disse a menina.
: Venha comigo: insistiu o coelho.: Sente no meu rabinho e vamos para a minha toca.
Mas a menina, mais uma vez, não aceitou.
Só que, no terceiro dia, quando ela repetiu "xô, xô", ficou curiosa e acabou sentando no rabinho do coelho. Num pulo, ele a levou correndo para a sua toca.
: Agora: disse o coelho, animado :, cozinhe um pouco de farelo com repolho, que eu vou convidar os bichinhos para uma festa!
Logo chegaram os convidados: as lebrinhas, o corvo e a raposa, todos alegres. Mas a menina não estava nem um pouco feliz. Ela se sentia sozinha e com muita saudade de casa e da mãe.
: Anime-se! Anime-se!: dizia o coelho.: Todos estão comemorando!
Mas a menina só queria voltar para casa. Então, enquanto o coelho ia buscar os outros convidados, ela teve uma ideia esperta. Pegou um pouco de palha e montou um bonequinho com o seu tamanho, vestiu-o com as suas próprias roupas, desenhou uma boquinha vermelha e o deixou sentado, de olho na panela de farelo. E, bem quietinha, saiu correndo de volta para a casa da mãe.
Quando o coelho voltou e chamou "anime-se, anime-se!", o bonequinho de palha, é claro, não respondeu nada. O coelho, sem entender, cutucou o boneco de leve… e ele tombou para o lado, mostrando que não passava de palha!
Só então o coelho percebeu que a menina tinha ido embora, espertinha. Ele ficou um pouco tristonho, mas entendeu que não se pode obrigar ninguém a ficar onde não quer.
E a menina? Ah, essa chegou em casa feliz da vida, e abraçou a mãe com todo o carinho.
Moral da História
Ninguém é obrigado a ficar num lugar onde não se sente bem. Com calma e um pouquinho de esperteza, sempre é possível encontrar um jeito de voltar em segurança para junto de quem amamos.