A Mala Voadora

Era uma vez um rapaz, filho de um comerciante rico e trabalhador. Quando o pai já não estava mais por perto, o rapaz herdou toda a fortuna da família. Só que ele não tinha o mesmo cuidado do pai e, num instante, gastou tudo à toa. Logo, só lhe restavam um par de chinelos e uma camisola velha.
Por sorte, um velhinho de bom coração lhe deu de presente uma mala grande. O problema é que o rapaz não tinha nada para colocar dentro dela.
Sem ter o que fazer, ele se sentou em cima da mala para pensar na vida. E que surpresa! Assim que apertou a fechadura, a mala se ergueu no ar e começou a voar! Era uma mala mágica.
Cheio de emoção, o rapaz voou para bem longe, cada vez mais alto, até pousar numa terra distante, cheia de torres e jardins. Ele escondeu a mala numa floresta e foi conhecer a cidade, onde havia um castelo enorme e reluzente.
: Que castelo lindo é esse?: perguntou ele a uma moradora.
: Ali mora a princesa: respondeu ela, gentil.: Dizem que ela vive um pouco solitária lá na torre mais alta.
Sem conseguir conter a curiosidade, o rapaz voltou para a sua mala e voou direto até a janela da torre. Lá encontrou a princesa, e os dois começaram a conversar. O rapaz era um contador de histórias e tanto! Falava com tanta graça e imaginação que a princesa ficava encantada, pedindo sempre mais um conto.
De tanto conversarem e rirem juntos, os dois foram ficando amigos, e a princesa disse:
: No próximo sábado, meus pais, o sultão e a sultana, virão tomar chá aqui. Venha também e traga a sua melhor história! Para a minha mãe, que seja uma história sábia e bonita; e para o meu pai, uma história bem divertida, de fazer rir.
O rapaz saiu feliz da vida e passou os dias inteiros preparando a história mais maravilhosa que conseguia imaginar. Quando chegou o sábado, a família real e toda a corte estavam reunidas para ouvi-lo.
E que história ele contou! Deu vida a panelas, frigideiras e caixinhas de fósforo, fazendo cada objeto da cozinha ter a sua própria aventura para contar. O sultão gargalhava, a sultana se emocionava, e todos aplaudiam de pé. Encantados, os pais deram a bênção para a amizade dos dois, e a cidade inteira festejou com alegria.
Naquela noite, houve fogos de artifício iluminando o céu, e o rapaz voou pelo ar em meio às luzes coloridas. Foi maravilhoso!
Mas, quando ele voltou à floresta para buscar a sua mala, levou um susto: no lugar dela havia só um montinho de cinzas. Uma faísca dos fogos de artifício tinha caído bem ali e queimado a mala mágica.
Sem a mala, o rapaz não conseguiu mais voltar à torre da princesa. E entendeu, tarde demais, que precisava ter cuidado com aquilo que a vida lhe dava.
Moral da História
Tudo o que recebemos: o dinheiro, os presentes, as boas oportunidades: precisa ser cuidado com atenção e carinho. Quando somos descuidados com o que temos, corremos o risco de ver tudo escapar por entre os dedos.