A Lua e o Trovão

Há muito, muito tempo, o Sol era uma moça brilhante que morava no lado leste do céu, enquanto o seu irmão, a Lua, vivia bem longe, no lado oeste.
Toda noite escura, quando o céu ficava sem luar, aparecia um visitante misterioso para conversar com o Sol. Ele chegava quando tudo estava escuro e ia embora antes de o dia raiar. Por mais que o Sol conversasse com ele, nunca conseguia ver o seu rosto na escuridão, e o visitante não queria dizer o seu nome de jeito nenhum.
O Sol ficava muito curioso.
: Quem será esse amigo que só me visita no escuro?: pensava ela.: Preciso descobrir!
Então bolou um plano espertinho. Na noite seguinte, quando o visitante chegou, ela mergulhou de leve a mãozinha nas cinzas macias da lareira e, com carinho, passou a mão no rosto dele, dizendo:
: O seu rostinho está tão gelado! Você deve ter sentido muito frio no caminho.
O visitante nem percebeu que a mão dela estava cheia de cinzas. Depois de um tempo, ele se despediu e foi embora, como sempre.
Na noite seguinte, quando a Lua apareceu lá no alto do céu, o Sol descobriu tudo: o rosto do seu irmão Lua estava cheio de manchinhas de cinza! Era ele, então, o visitante secreto.
A Lua ficou tão sem graça por ter sido descoberta que resolveu ficar o mais longe possível da irmã, do outro lado do céu. E é por isso, dizem os antigos, que o Sol e a Lua vivem cada um numa ponta: quando um aparece, o outro se esconde. De vez em quando, a Lua ainda passa pertinho do Sol, no oeste, mas fica tão fininha, tão fininha, que quase não dá para ver: é a lua minguante, encolhidinha de timidez.
E, bem mais longe, acima das nuvens, mora o bom e velho Trovão com os seus filhos. Quando eles caminham pelo céu, o relâmpago e o arco-íris são as suas roupas mais bonitas e coloridas. Por isso, quando ouvimos o ronco do Trovão e vemos o arco-íris depois da chuva, é só o pessoal do céu passeando com as suas vestes reluzentes.
Moral da História
Não precisamos nos esconder de quem gosta da gente. A Lua ficou tão envergonhada por seu segredinho que se afastou da irmã. Ser sincero e mostrar quem somos, sem medo, deixa a amizade muito mais leve e feliz.