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A lebre e suas orelhas

Capa do livro de histórias Colorir e Desenhar

Certo dia, o Leão, rei dos animais, sem querer se arranhou nos chifres pontudos de um bode. Ficou tão contrariado com aquilo que resolveu tomar uma decisão exagerada:

: A partir de agora, nenhum animal com chifres pode viver no meu reino!: rugiu ele.: Todos têm vinte e quatro horas para ir embora.

A ordem espalhou o susto pela floresta. Os que tinham a infelicidade de ter chifres: como os veados, os bodes e os bois: começaram, tristes, a arrumar as malas para partir.

A lebre, que não tinha chifres nenhum, no começo ficou tranquila. Afinal, não havia por que se preocupar, certo? Mas, quando a noite chegou, ela passou horas rolando na cama, com sonhos assustadores sobre o temível Leão.

De manhã cedo, ao sair da toca, o sol projetou no chão a sombra das suas orelhas compridas e pontudas. A lebre olhou para aquela sombra e foi tomada por um medo enorme.

: Ai, minha nossa!: exclamou ela, tremendo.: E se o Leão achar que as minhas orelhas são chifres? Ele nunca vai acreditar em mim! Melhor eu ir embora agora mesmo!

Sem pensar direito, ela já ia saindo em disparada quando o seu amigo grilo, que tudo ouvira, a chamou:

: Calma, dona Lebre! Por que tanto desespero?

: Minhas orelhas!: disse ela, ofegante.: O Leão vai confundi-las com chifres!

O grilo deu uma risadinha gentil e respondeu:

: Ora, orelha é orelha, e chifre é chifre. Qualquer um vê a diferença! Você está deixando o medo inventar um problema que nem existe. Respire fundo e pense com calma.

A lebre parou, respirou fundo… e percebeu que o grilo tinha toda a razão. As suas orelhas eram só orelhas, e ninguém, nem mesmo o Leão, as confundiria com chifres. Aos pouquinhos, o medo foi passando, e ela pôde continuar a sua vida em paz.

Moral da História

Às vezes, o medo faz a nossa imaginação inventar perigos que nem existem. Antes de sair correndo assustado, vale a pena parar, respirar e pensar com calma: muitas preocupações somem quando olhamos para elas com tranquilidade.