A Gralha Vaidosa e Suas Penas Emprestadas

Certa vez, uma gralha sobrevoava o jardim do palácio do rei quando avistou, lá embaixo, um bando de pavões. Ela ficou boquiaberta de admiração: e também de inveja: diante de toda aquela plumagem esplêndida, cheia de cores e brilhos.
A gralha era um passarinho comum, de penas pretas e sem grande beleza. E, olhando para os pavões, ela teve uma ideia:
: Ora, tudo o que me falta para ser tão elegante quanto eles é uma roupa como a deles!
Então, sem pensar direito, catou algumas penas coloridas que os pavões haviam deixado cair e enfiou-as no meio das suas próprias plumas escuras. Toda enfeitada com aquela beleza emprestada, a gralha começou a se pavonear, cheia de si, no meio dos passarinhos da sua própria espécie.
Não satisfeita, resolveu voar até o jardim para se misturar aos pavões, como se fosse um deles. Mas bastou um instante para que os verdadeiros pavões percebessem quem ela era de verdade.
Nada contentes com a trapaça, eles se aproximaram e, com uns bicos aqui e ali, arrancaram todas as penas emprestadas: e ainda algumas das penas dela mesma. Sem graça e sem enfeites, a gralha voltou tristonha para junto dos seus antigos companheiros.
Só que ali outra surpresa a esperava. As outras gralhas não tinham esquecido o jeito metido com que ela as tratara antes, quando se achava melhor do que todo mundo. E, para dar-lhe uma liçãozinha, viraram o biquinho e não quiseram mais a sua companhia.
Coitada da gralha! Ela aprendeu, do jeito difícil, que tentar ser quem não era só lhe trouxe tristeza. Se tivesse se aceitado como era, teria continuado feliz entre os seus.
Moral da História
Não precisamos nos disfarçar de outra pessoa para ter valor. Cada um tem a sua própria beleza, e ser quem realmente somos, com simplicidade e carinho pelos amigos, vale muito mais do que qualquer enfeite emprestado.