A gata branca

Era uma vez um rei que tinha três filhos. Um dia, ele chamou os três príncipes e disse: : Meus queridos filhos, um dia ficarei velho para cuidar do reino. Um de vocês vai me substituir, mas não quero escolher assim, sem mais nem menos. Por isso, preparei uma tarefa.
: Quando eu me aposentar no campo, vou querer a companhia de um cachorrinho bem pequeno e bonito: continuou o rei.: Aquele que me trouxer o menor e mais fofo cãozinho herdará o trono.
Os príncipes ficaram surpresos, mas aceitaram. Como a tarefa dava até aos mais novos uma chance de reinar, cada um seguiu por um caminho. Os dois mais velhos viveram muitas aventuras, mas é sobre o mais novo que esta história fala.
O príncipe mais novo era um rapaz bonito, educado e bem-humorado. Certo dia, avistou um castelo magnífico, todo enfeitado de ouro, pedras preciosas e a mais fina porcelana. Ele se surpreendia a cada passo!
Mas a maior surpresa foi descobrir quem morava ali: uma graciosa gatinha branca, que o recebeu falando como gente. : Bem-vindo, príncipe! A rainha dos gatos tem muito prazer em conhecê-lo: disse ela, com uma vozinha doce.
O príncipe ficou encantado. Foi servido por outros gatos, todos muito educados e falantes. Reparou, então, num medalhão que a gatinha branca usava. Nele havia o retrato de um jovem muito bonito: e, para espanto do príncipe, o retrato parecia a sua própria imagem no espelho!
Ele já ia perguntar sobre aquilo, mas notou uma tristeza tão grande nos olhos da gatinha que preferiu ficar quieto, com delicadeza.
O príncipe se divertiu tanto no castelo que quase esqueceu a tarefa do pai! O ano estava quase acabando e ele ainda não tinha achado um cachorrinho. : Eu vou te ajudar: disse a gatinha branca.: Leve esta bolota para o seu pai. Quando ele a abrir, sairá de dentro o cãozinho mais pequenino e fofo do mundo.
O príncipe quis levar a gatinha consigo, mas ela recusou com carinho. Então ele prometeu voltar assim que entregasse o cachorro. E lá foi ele.
Com aquele cãozinho minúsculo, o príncipe mais novo teria vencido os irmãos. Mas o rei, ainda em dúvida, propôs uma nova tarefa: encontrar um tecido tão fininho que passasse pelo buraco de uma agulha.
Os três irmãos partiram de novo, cada um por seu lado. Mas o mais novo correu direto para o castelo da gatinha branca e pediu ajuda. : Deixe comigo: prometeu ela. E seus gatos fiaram a seda mais fina para tecer o pano mais delicado do mundo.
O príncipe foi ficando cada vez mais apegado à gatinha branca. Mas, toda vez que perguntava sobre o passado dela, ela respondia, meiga: : Querido príncipe, não me pergunte isso. Um dia você vai entender.
Passado o ano, o tecido estava pronto, guardadinho dentro de uma noz. O príncipe se despediu de novo e voltou ao pai. Os irmãos trouxeram belíssimas musselinas. Mas, quando abriram a noz do mais novo, de dentro dela saiu uma sementinha, e da sementinha um tecido tão fino e tão bordado que passava com folga por qualquer agulha!
Mais uma vez o mais novo teria vencido. Mas o rei ainda não estava satisfeito e deu a terceira tarefa: : Um rei precisa de uma companheira ao seu lado. Aquele que voltar com a mais gentil e encantadora princesa será o novo rei.
O mais novo correu de novo ao castelo. : Desta vez preciso encontrar uma noiva: contou ele à gatinha. : Vou te ajudar mais uma vez, pode confiar: respondeu ela.
O príncipe e a gatinha branca passaram um ano inteiro brincando e conversando, felizes. Até que chegou o dia de voltar. Nesse dia, a gatinha branca ficou muito séria e disse: : Querido príncipe, para me ajudar, você precisa fazer só uma coisa: tire com cuidado o meu medalhão de prata e jogue-o dentro daquela fonte de água cristalina.
O príncipe ficou confuso: : Mas, minha querida Branquinha, por que eu faria isso? : Confie em mim: pediu ela, com ternura.
Com as mãos um pouco trêmulas, o príncipe soltou delicadamente o medalhão de prata do pescoço da gatinha e o deixou cair na fonte. A água brilhou como mil estrelas... e, num passe de mágica, no lugar da gatinha branca surgiu a jovem mais doce e bonita que ele já havia visto! No mesmo instante, todos os outros gatos do castelo voltaram a ser pessoas.
: Agora posso finalmente contar quem eu sou: suspirou ela, com os olhos brilhando de alegria. E contou que era filha de um rei que governava seis reinos.
Quando era só um bebê, ela havia sido levada por engano a um castelo de fadas encantado. Ali, uma fada zangada acabou lançando um feitiço que a transformou, junto com seus criados, em gatos. O encanto só se desfaria quando aparecesse um jovem de coração bondoso, parecidinho com o retrato do medalhão: e esse jovem era o próprio príncipe.
O rapaz levou a doce princesa ao castelo do pai. Claro, ela era a noiva mais encantadora que alguém já vira! Mas o príncipe mais novo, generoso, recusou a coroa: afinal, sua noiva já tinha seis reinos.
Então a princesa deu um de seus reinos para cada um dos irmãos e um para o pai do príncipe. Todos ficaram muito felizes e agradecidos com tamanha bondade.
E, naquele dia de festa, o príncipe e a gatinha branca: agora princesa: se casaram, cercados de amigos que voltaram a ser gente. E todos viveram felizes para sempre!
Moral da História
A verdadeira nobreza está no coração: a bondade e a generosidade valem mais do que qualquer coroa. E, quando confiamos em quem nos ama, até os encantos mais difíceis se desfazem.