A Família Esquilo

Numa grande árvore oca, no meio da floresta, morava a família Esquilo: o papai Esquilo, a mamãe Esquilo, a filhinha Betty e o filho Budge. Era a árvore mais bonita de toda a floresta, e eles viviam muito felizes ali.
Betty e Budge adoravam correr um atrás do outro pelos galhos e brincar de esconde-esconde entre as folhas. Eram alegres e despreocupados, e o que mais gostavam era de brincar com os priminhos. O verão inteiro foi assim, só correria e diversão.
Mas, quando o tempo começou a esfriar, os dois levaram um susto: as lindas folhas verdes iam mudando de cor, virando vermelhas, amarelas, marrons e douradas.
: O que será que está acontecendo?: pensou Budge, olhando para trás só para conferir se o próprio rabinho também não tinha mudado de cor. Parecia que o mundo inteiro havia se transformado!
As nozes começaram a cair das árvores, e o papai e a mamãe Esquilo passavam o dia todo ocupados, juntando o máximo que podiam para o inverno. Eles sabiam que logo chegaria o frio, com montanhas de neve, e que não haveria nada para comer além do que guardassem no ninho. Alimentar quatro bocas famintas não era fácil!
Só que o frio veio mais depressa do que o esperado. Preocupado, o papai Esquilo chamou os filhos para ajudarem na colheita. Betty, esforçada, trabalhou o dia inteiro sem reclamar. Mas Budge, que nunca tinha aprendido a trabalhar, cansou depois de pegar umas poucas nozes e foi tirar um cochilo.
No dia seguinte, o céu estava cinzento e gelado. Os esquilos perceberam que ia nevar naquela noite e correram para o trabalho.
: Se todos nós nos esforçarmos hoje: disseram o papai e a mamãe :, teremos nozes suficientes para o inverno inteiro!
Trabalharam sem parar, tão concentrados que demoraram a notar uma coisa: Budge tinha sumido.
É que, distraído, ele avistara uns esquilos brincando por perto e correra para se juntar a eles. Depois da farra entre as folhas, no caminho de volta para casa… puf! Budge caiu numa armadilha! Dois meninos a haviam montado e queriam levá-lo para casa como bichinho de estimação.
Coitado do Budge! Ele tremia de medo.
: Ah, se eu tivesse ficado ajudando a minha família a juntar as nozes…: lamentou-se, com o coração apertado.
Os meninos o levaram para uma casinha sem nenhuma árvore por perto e, como não tinham gaiola, colocaram-no numa caixa de papelão. Budge se deitou e fingiu dormir, mas só conseguia pensar no seu ninho quentinho e nos seus pais.
Aos poucos, criou coragem. Com os dentinhos afiados, começou a roer um buraco na caixa. Roeu, roeu, roeu… até que, depois de algumas horas, o buraco ficou grande o bastante para ele escapar!
Budge disparou pelo frio, pela escuridão e pela neve, rumo ao seu lar. No caminho, pensou nas nozes que não havia colhido e imaginou que passaria o inverno inteiro com fome. Chegou a pensar em desistir e não voltar, com medo de que a irmã tivesse vergonha dele. Mas respirou fundo, teve coragem e seguiu em frente.
Quando enfim chegou à árvore, o papai, a mamãe e Betty tomavam o café da manhã. Ao vê-lo, ficaram tão felizes que o encheram de abraços e quiseram ouvir toda a aventura. De tão contentes com o seu retorno, fizeram uma festa em sua homenagem e convidaram os vizinhos.
Daquele dia em diante, Budge nunca mais foi preguiçoso. Ele aprendeu que vale muito a pena se esforçar e ajudar a família. Aliás, dizem que, se você vir um esquilo trabalhando duro no outono, juntando nozes com todo o capricho, é bem provável que seja o Budge: porque agora ele é o mais caprichoso de todos!
Moral da História
O trabalho que fazemos junto com quem amamos protege a todos e traz alegria. Fazer a nossa parte, sem empurrar as tarefas para depois, é um jeito de cuidar da família e de si mesmo.