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A Fada Perdida

Capa do livro de histórias Colorir e Desenhar

Era uma vez uma fadinha que morava com a Rainha das Fadas e suas irmãs. Numa noite de lua cheia, ela se afastou das outras e voou até o alto de uma montanha, onde vivia um jovem camponês.

A fadinha encontrou o rapaz dormindo à porta de sua casinha, banhado pela luz do luar. Ao ver seu rosto bondoso, ela sentiu no coração que gostaria de viver ao lado dele. Mas sabia que, sendo fada, isso não seria possível.

Decidida, ela voou até a cabana de uma velha bruxa muito sábia, a quem já havia ajudado no passado. : Mãe Bruxa: disse ela :, eu me apaixonei por um mortal e queria me tornar uma menina comum, para viver com ele.

A velha bruxa avisou, gentilmente: : Você sabe que, se a Rainha descobrir que você fugiu, terá de encará-la. Tem certeza? : Tenho, sim: respondeu a fadinha.: Por favor, me transforme depressa, para que eu volte antes que ele acorde.

A bruxa transformou a fadinha numa linda jovem e lhe deu um par de sapatinhos encantados. : Assim que chegar ao topo da montanha, jogue estes sapatos ladeira abaixo: instruiu a bruxa.: Eles são mágicos. Se a Rainha ou suas irmãs os virem, saberão na hora que você é a fada que fugiu, e continuarão te procurando.

A jovem prometeu obedecer e calçou os sapatinhos. Subiu a montanha e ficou ao lado do camponês adormecido. Mas, na pressa e na emoção de acordar o rapaz, ela se esqueceu completamente dos sapatos.

Quando o camponês abriu os olhos e viu a doce jovem, ficou encantado e logo os dois se tornaram grandes companheiros, vivendo felizes na casinha da montanha.

Naquela mesma noite, a Rainha das Fadas reuniu as fadinhas e percebeu que faltava uma. : Procurem por ela em toda parte!: ordenou.: Nenhuma fada pode se perder para sempre.

As fadinhas voaram por todos os cantos, olhando debaixo das pedras, entre as folhas e à beira do rio. Mas não encontraram a irmã. A Rainha, porém, não desistiu: : Esta noite, vamos procurar no alto de todas as montanhas. E eu irei junto.

A jovem, enquanto isso, vivia contente ao lado do marido, que a amava muito. Ela nunca lhe contou de onde vinha, o que às vezes o deixava pensativo. Quanto aos sapatinhos que deveria ter jogado fora, ela os havia guardado sob um arbusto, achando que um dia poderiam ser úteis.

E foi justamente ali que a Rainha das Fadas os encontrou, reconhecendo na hora a magia deles. : Ela está no alto da montanha: declarou a Rainha.: Sinto que se tornou mortal. Precisamos encontrá-la.

As fadas voaram até a cabana onde a jovem morava e espiaram pela janela. A Rainha se tornou invisível aos olhos dos mortais, mas sabia que, se aquela moça fosse mesmo a fada perdida, conseguiria enxergá-la.

: Tráááá, tráááá: fez a varinha da Rainha, batendo de leve na vidraça. Na mesma hora, a jovem olhou para cima e avistou sua Rainha. Ela empalideceu, e o marido, preocupado, a abraçou. : Não é nada: assegurou ela.: Foi só um susto.

Naquela noite, enquanto o marido dormia, a jovem saiu de mansinho. Só havia uma chance de escapar: pegar os sapatinhos mágicos e chegar até a velha bruxa antes que a Rainha a tocasse com a varinha.

Ela correu até o arbusto. Mas, quando estendeu a mão para os sapatos, a Rainha, escondidinha ali, tocou de leve a cabeça da jovem com a varinha. No mesmo instante, a moça se transformou num coelhinho branco e disparou para dentro da floresta.

: Vejam, minhas fadas: disse a Rainha, com carinho :, quem foge acaba passando por provações. Mas nem tudo está perdido: há um jeito de o coelhinho voltar a ser mortal, ainda que seja difícil.

As fadinhas prometeram nunca fugir, e olharam com pena para o lugar onde o coelhinho branco havia sumido.

Quando o camponês acordou e não encontrou a esposa, saiu procurando por toda a casa, aflito. Olhou embaixo da cama, no armário, no sótão. Procurou pela montanha inteira, mas ela havia desaparecido sem deixar rastro. O rapaz começou a se perguntar se, talvez, ela não fosse uma fada, afinal.

Um dia, sentado à porta da cabana, sentindo saudade da esposa, o camponês viu um coelhinho branco se aproximar e esfregar a cabecinha em sua perna. : Coitadinho: disse ele, pegando o coelho no colo e fazendo carinho.: Você também perdeu alguém?

Para sua surpresa, quando o colocou no chão, o coelhinho não fugiu. Ficou pertinho dele. E, quando o camponês entrou em casa, o bichinho o seguiu, insistindo em ficar por perto. Cheio de pena, ele deixou o coelhinho entrar, deu-lhe alface e fez uma caminha aconchegante ao lado da sua. De algum jeito, a companhia do coelhinho o confortava.

Muitas vezes, ao caminhar pela montanha, o camponês encontrava um par de sapatinhos sob um arbusto. Eram tão pequenininhos que ele imaginou que fossem mágicos. Levou-os para casa e os colocou no chão.

Assim que viu os sapatos, o coelhinho branco correu até eles, empurrando-os com o focinho. Curioso, o camponês pegou o bichinho e o colocou dentro de um dos sapatos. Na mesma hora, o sapato disparou porta afora, ladeira abaixo, e o rapaz saiu correndo atrás.

Ele viu o sapatinho descer voando até a floresta e parar bem na entrada da caverna da velha bruxa. A bruxa olhou para o coelho dentro do sapato e comentou: : Então a Rainha te encontrou, foi? Eu havia avisado para jogar os sapatos fora. Agora só há um jeito de te salvar: alguém precisa te pedir em casamento com o coração sincero.

O camponês, que tinha ouvido cada palavra, entendeu tudo de uma vez. Correu até a bruxa e declarou: : Mãe Bruxa, eu quero me casar com o coelhinho branco. Abençoe a nossa união!

A bruxa agitou seu cajado. E, no instante em que o camponês tirou o coelhinho do sapato, ele se transformou de novo na sua amada esposa, agora mortal para sempre. O feitiço estava desfeito!

: Recebam a minha bênção: disse a bruxa, sorrindo.: Como presente, quando chegarem em casa, olhem dentro do outro sapato mágico. Depois, joguem-no bem longe, ladeira abaixo.

O casal, radiante, correu de volta para a cabana. Ao olhar dentro do outro sapatinho, encontraram uma linda bebezinha, sorrindo para eles! A esposa a pegou no colo, cheia de amor, e o camponês, sem demora, jogou o sapato bem longe.

Depois, ele voltou à caverna da bruxa e pediu que ela fosse a madrinha da menininha. Encantada, a bruxa agitou o cajado sobre o bebê e lhe desejou uma vida longa, feliz e cheia de bondade.

E assim, a fadinha que um dia se perdeu encontrou, no fim, a maior felicidade de todas: uma família que a amava e um lar só seu.

Moral da História

O amor verdadeiro não desiste e enxerga o coração de quem amamos, por mais que as aparências mudem. E seguir os bons conselhos que recebemos evita muitos perrengues pelo caminho.