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A Fada da Primavera e os Gigantes do Gelo

Capa do livro de histórias Colorir e Desenhar

Bem longe, no Norte gelado, dentro de um palácio brilhante feito de icebergs, viviam os Gigantes de Gelo. Eles eram cinco: Arre-Gelado, Vento-Norte, Granizo, Chuva-de-Pedra e Tempestade.

Trancados em suas terras congeladas, os gigantes andavam impacientes. Queriam muito descer até o Vale da Primavera, onde tudo era verde e florido.

: Só conseguiremos entrar no vale se capturarmos Flora, a Fada da Primavera, e a cesta de maçãs douradas que ela guarda: disse Arre-Gelado.

: É verdade: resmungou Vento-Norte.: Enquanto ela cuidar dessas maçãs mágicas, os pássaros vão cantar, as flores vão brilhar nos campos e as pessoas viverão cheias de alegria e energia.

Muitas vezes os gigantes já haviam tentado capturar a fada, mas sempre fracassavam.

: Já sei: disse Arre-Gelado.: Vamos pedir ajuda a Trapaço, o duende travesso. Ele mora pertinho dos bosques da Fada da Primavera e costuma visitá-la para provar uma de suas maçãs. Se o convencermos, ele nos ajudará.

Combinado! A Tempestade se transformou numa águia enorme e voou até onde Trapaço brincava perto de uma fogueira. Com um susto e um empurrãozinho, o gigante o levou pelos ares até uma montanha solitária.

: Trapaço, você está em meu poder!: trovejou a Tempestade.: Só voltará para casa se prometer nos ajudar a capturar a Fada da Primavera e suas maçãs douradas.

: Ajudar a levar o tesouro dela? Impossível!: gaguejou Trapaço, tremendo de medo. : Então ficará aqui no frio para sempre: ameaçou o gigante.

Assustado, o duende travesso acabou prometendo enganar a fada. Foi solto, e a Tempestade voltou para o Norte.

No dia seguinte, ao entardecer, Flora passeava por um de seus bosques mais lindos. As folhas dançavam com a brisa suave, e um perfume de jacintos e rosas enchia o ar. Ela sentou-se perto de uma fonte fresca e pousou a cesta de maçãs no chão.

De repente, uma sombra comprida escureceu o caminho. Era Trapaço. : Vim provar uma de suas maçãs, Flora: disse ele.: Estou cansado de uma longa viagem. : Seja bem-vindo: respondeu a fada, sorrindo, e abriu a cesta.

Enquanto mordia a maçã, o duende inventou uma história: : Sabe, Flora, descobri um bosque onde cresce uma árvore maravilhosa. As maçãs dela têm a forma das suas, mas são maiores e de um dourado ainda mais bonito.

: Ora: riu a Fada da Primavera :, podem até ser maiores, mas duvido que tenham o poder das minhas, que enchem todos de vida e alegria. : Pois eu garanto que sim: insistiu Trapaço.: Se quiser, eu a levo até lá para você comparar. Não fica longe.

Curiosa, Flora aceitou. Pegou sua cesta e seguiu o duende. Andaram muito, até chegar a um prado cercado de floresta. : Olhe, estamos quase lá: apontou Trapaço.

Naquele instante, uma sombra escura caiu sobre o caminho. A Tempestade, disfarçada de águia gigante, mergulhou do céu, apanhou com cuidado a fada e sua cesta e disparou para o Norte gelado. Lá, os Gigantes de Gelo acomodaram Flora num quarto do palácio de gelo, sem lhe fazer mal, mas sem deixá-la partir.

Não demorou para o Vale da Primavera sentir a falta de Flora. As flores murcharam, a grama ficou marrom e as folhinhas verdes ficaram ressecadas. : O que aconteceu com a Fada da Primavera?: perguntava o povo, aflito.: Olhem como tudo está mudando!

Aos poucos, os Gigantes de Gelo iam avançando em direção ao vale. Numa noite, Arre-Gelado soprou seu hálito gelado sobre as bordas dos bosques, e de manhã ouviu-se o uivo triste do Vento-Norte.

: Precisamos encontrar a Fada da Primavera, ou o vale inteiro vai adormecer no frio!: choravam as pessoas.

Em desespero, o povo procurou o velho e sábio guardião do vale, um ancião muito bom chamado Mestre Aurélio, e pediu ajuda. Ele reuniu um conselho e, depois de pensar, mandou chamar Trapaço, o duende travesso, que andava sumido.

: Diga a verdade, Trapaço: pediu Mestre Aurélio, com firmeza e bondade.

Envergonhado, o duende confessou toda a armação: como havia enganado a fada e a entregado aos Gigantes de Gelo.

: Trapaço: disse o Mestre :, agora você vai consertar o seu erro. Traga Flora de volta, sem demora!

O duende sabia que não podia desobedecer. Vestiu uma plumagem de falcão e voou para o Norte desolado. Rodeando os icebergs, avistou a Tempestade pescando no alto de uma rocha. Aproveitou o descuido, entrou por uma fresta do palácio de gelo e chegou até o quarto onde Flora descansava.

: Trapaço!: assustou-se a fada.: Você veio fazer mais travessuras? : Não: respondeu ele, cabisbaixo.: Fui mandado para resgatá-la. E me arrependo de tudo. Só com a minha magia poderemos escapar.

Então Trapaço encolheu a fada e a preciosa cesta de maçãs, colocou-as numa casca mágica bem escondida, vestiu de novo a plumagem de falcão e voou depressa em direção ao vale.

Mas a Tempestade ergueu os olhos e o viu: : É o Trapaço disfarçado! Está levando a Fada da Primavera de volta. Mas não vai escapar de mim!

Num instante, a Tempestade virou águia e saiu voando atrás do falcão. Foi uma corrida emocionante pelo céu!

No vale, o povo esperava ansioso. Quando avistaram os dois grandes pássaros se aproximando na velocidade do vento, alguém gritou: : É a Tempestade perseguindo o Trapaço! Preparem as fogueiras! Acendam assim que o falcão passar!

O falcão cruzou as muralhas do vale. Na mesma hora, as fogueiras se acenderam num muro de luz e calor. O falcão passou a salvo, mas a águia, sem conseguir atravessar o calor, girou no alto e, com um grito de desânimo, voltou para o Norte gelado.

: A Fada da Primavera voltou!: comemorou o povo, reunindo-se em volta de Flora.: Sua presença nos enche de vida e esperança. A cesta de maçãs douradas está segura!

E foi assim. As flores desabrocharam, a grama reverdeceu e os riachos voltaram a correr. O Vale da Primavera ficou lindo outra vez. E Trapaço, que aprendeu a lição, nunca mais usou suas travessuras para o mal: passou a usar sua esperteza para ajudar os amigos.

Moral da História

Quem erra pode consertar o que fez, se tiver coragem de dizer a verdade. E, quando cada um faz a sua parte com boa vontade, até o inverno mais duro dá lugar à primavera.