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A Busca do Pardal pela Chuva

Capa do livro de histórias Colorir e Desenhar

Há muito, muito tempo, numa aldeia perto do mar, vivia um velho e bondoso guerreiro. Dizem que ele nascera com um dom especial e podia fazer coisas maravilhosas.

Ele tinha uma filha muito querida por todos. A moça era gentil e tranquila, e gostava de viver com simplicidade, sem se importar com coisas vaidosas.

Seu pai tinha muito orgulho dela e costumava dizer, sorrindo: : Minha filha herdou a minha sabedoria. Um dia vai encontrar alguém tão especial quanto ela.

Mas a moça não pensava em casamento. Ela dizia que só teria por companhia alguém que a fizesse rir e que fosse interessante de verdade.

E assim vieram muitos pretendentes. O Mergulhão apareceu todo elegante, achando que sua beleza bastaria. Mas, quando a moça conversava com ele, ele só sabia soltar gargalhadas e não tinha nada de interessante a dizer.

: Você é bonito, mas não temos muito o que conversar: disse ela, gentilmente. E o Mergulhão foi embora.

Depois veio a Raposa, que passou o dia inteiro girando atrás do próprio rabo para divertir a moça. Ela até achou graça, mas logo se cansou, e a Raposa também partiu.

Vieram muitos outros, e todos ouviram a mesma resposta educada. Por fim, a moça decidiu viver em paz ao lado do pai.

Alguns jovens da aldeia ficaram magoados por não terem sido escolhidos. Um deles era o Vento, que às vezes gostava de pregar peças. Certo dia, sem pensar direito, ele soprou tão forte que derrubou a moça na lama, e vários rapazes riram.

A moça voltou para casa envergonhada e contou tudo ao pai. O velho guerreiro, muito zangado, foi falar com o Chefe da aldeia. Depois de conversarem, decidiram que o Vento deveria passar um tempo longe, para aprender a ser mais cuidadoso.

O Vento aceitou partir. Mas seu melhor amigo era a Chuva, que não enxergava e sempre precisava do Vento para guiá-lo.

: Se você vai embora, eu vou junto: disse a Chuva.: Sem você, eu me perco.

E os dois partiram juntos, o Vento guiando a Chuva com todo o cuidado. Ninguém sabia para onde tinham ido. Passaram-se muitos meses.

Aos poucos, a aldeia começou a sentir muita falta dos dois. Sem o Vento, os barcos de pesca ficavam parados no mar. Sem a Chuva, os riachos secavam, a grama ficava marrom e as flores murchavam.

: Precisamos trazer o Vento e a Chuva de volta!: decidiu o Chefe.: Fomos duros demais.

Primeiro mandaram a Raposa procurar. Ela correu por montanhas e cavernas durante semanas, mas voltou de cabeça baixa: : Não consegui encontrá-los.

Depois mandaram o Urso. Ele farejou o ar, virou troncos e pedras enormes, e perguntou às árvores por onde o Vento tinha passado. Mas ninguém sabia, e o Urso também voltou sem notícias.

Então o velho sábio teve uma ideia: : Os bichos da terra não conseguem. Vamos pedir ajuda aos pássaros.

A Garça procurou nos brejos, o Corvo voou pelas colinas e o Martim-pescador foi até o mar aberto. Mas todos voltaram dizendo o mesmo: não havia sinal dos viajantes.

Foi então que o pequeno Pardal se ofereceu para tentar. Antes de partir, ele arrancou uma penuguinha macia do próprio peito e prendeu-a na ponta de um graveto. Segurou o graveto no bico e alçou voo.

Durante muitos dias, o Pardal voou em direção ao sul, sempre de olho na peninha. Ela ficava paradinha, sem se mexer.

Até que, um dia, a peninha estremeceu de leve. O coração do Pardal disparou: : O Vento não está longe!: E ele voou justamente na direção de onde a peninha soprava.

Logo avistou lá embaixo a grama verdinha, flores coloridas e riachos correndo alegres. Seguiu um deles até uma caverna nas colinas, cheia de flores balançando na entrada.

Bem devagar, o Pardal entrou. E lá estavam eles: o Vento e a Chuva, dormindo profundamente, cansados da longa viagem.

O passarinho tentou acordá-los com piados e biquinhos, mas os dois nem se mexiam. Então o Pardal chegou pertinho do ouvido da Chuva e piou com toda a força que tinha.

A Chuva acordou assustada: : Quem está aí?: perguntou, sem conseguir enxergar. E logo chamou o Vento para ajudar.

O Pardal contou tudo: como a aldeia estava triste e ressecada, como todos sentiam saudade e como o Chefe pedia que voltassem.

O Vento ficou comovido: : Se somos tão necessários, voltaremos amanhã mesmo. Vá na frente e avise o seu povo. Chegaremos logo depois de você.

Cheio de orgulho, o Pardal voou de volta para casa e correu até o Chefe: : Encontrei o Vento e a Chuva! Amanhã eles estarão aqui!

O Chefe abriu um sorriso enorme: : Por causa da sua coragem, o povo dos pardais sempre será respeitado e cuidado entre nós.

Na manhã seguinte, o Vento chegou primeiro, balançando as árvores, que dançavam felizes com o seu retorno. Logo atrás veio a Chuva, guiada com carinho pelo amigo.

Durante vários dias a Chuva caiu mansinha. As flores desabrocharam, a grama ficou verdinha de novo e os riachos voltaram a correr cantando.

Desde esse dia, o Vento e a Chuva nunca mais ficaram longe por muito tempo. E o povo dos pardais aprendeu a sentir quando a chuva está chegando: eles se juntam, pulam pelos galhos e fazem uma festa alegre, anunciando a boa notícia para todos.

Moral da História

A coragem e a bondade não dependem do tamanho: às vezes é o menor de todos que consegue fazer a maior diferença.