Pular para o conteúdo

A árvore de Natal dos animais

Capa do livro de histórias Colorir e Desenhar

Certa vez, os animais decidiram ter a sua própria árvore de Natal. E tudo começou assim: as andorinhas que faziam ninho nas chaminés foram acordadas, numa noite fria, por risadas e cantorias vindas de dentro de uma casa. Curiosas, elas espiaram e viram uma cena cheia de felicidade.

No meio da sala havia um pinheiro enfeitado com bolinhas brilhantes de todas as cores e fios reluzentes de ouro e prata. Uma estrela cintilava no topo e, embaixo da árvore, havia bonecas, trenós, patins, tambores e brinquedos de todos os tipos. Ao redor, crianças de rostinhos maravilhados sorriam de alegria enquanto ganhavam seus presentes.

As andorinhas contaram tudo o que tinham visto para os outros animais, até que a notícia se espalhou pela floresta inteira: uma vez por ano, as crianças ficavam radiantes de felicidade em torno de um pinheiro enfeitado.

Os bichos das casas: os cães, os gatos e até os ratinhos: já sabiam algumas coisas sobre essa festa. Alguns deles até já tinham participado e ganhado presentinhos da árvore, assim como as crianças. E contaram para os bichos da floresta tudo o que sabiam.

: A árvore se chama árvore de Natal: explicaram eles: porque só ganha enfeites na época do Natal. E o Natal é o tempo em que todos ficam mais gentis, bondosos e cheios de amor, dando presentes uns aos outros.

Os animais não entendiam muito bem por que era assim, mas sabiam que a árvore de Natal trazia um espírito de alegria e carinho, e que era isso que deixava todo mundo feliz. Eles conversaram tanto sobre o assunto, nas tocas, nos ninhos, nos campos e nos currais, que acabaram concordando: os animais também teriam a sua árvore de Natal!

Mas como fazer isso? Então o leão, que é o rei dos animais, convocou uma grande reunião. E, quando o leão chama, todos comparecem. Durante essas reuniões, reina sempre uma paz de verdade: o cordeirinho pode sentar-se ao lado do lobo, que não lhe faz mal nenhum.

Assim, com o leão sentado em seu trono, uma coroa de lado na cabeça, todos os bichos se reuniram ao redor. As andorinhas contaram de novo o que tinham visto. Um cachorrinho gorducho, com uma fitinha e um guizo de prata no pescoço, contou de uma árvore de Natal em que crescera, para ele, um sininho e uma caixa dos doces mais gostosos. E uma gata persa miou a sua história, lembrando de um ratinho de queijo cremoso que encontrara debaixo da árvore.

Então os macacos tagarelaram, os elefantes trombetearam, os cavalos relincharam, e cada um, do seu jeito, defendeu a ideia da árvore e disse como poderia ajudar. O elefante iria à floresta escolher a melhor árvore. Os búfalos a arrastariam com cuidado. A girafa, com seu pescoço comprido, enfeitaria os galhos mais altos. Os macacos subiriam onde a girafa não alcançasse, e os esquilos correriam pelos galhos mais finos para ajudar.

Os pássaros voariam levando os fios dourados nos biquinhos. Os vaga-lumes se esconderiam entre as folhas para brilhar como diamantes. Os papagaios e as araras dariam penas coloridas para pendurar, os beija-flores esvoaçariam entre os galhos e as ovelhas ofereceriam um pouco de lã branca e fofa para parecer neve.

Todos ficaram animadíssimos! Depois de combinarem como enfeitar a árvore, faltava decidir só uma coisa: qual presente cada um queria pendurar nela, pois cada bichinho ganharia o seu.

Depois de muita conversa, entre rugidos, latidos, mugidos e piados, ficou combinado que cada animal poderia escolher o presente que mais desejasse. A coruja, que era a escrivã, chamava os nomes um por um, e cada um dizia a sua escolha.

Os papagaios e as araras escolheram laranjas e bananas, que ficariam lindas na árvore. Os passarinhos pediram cerejinhas; os esquilos, nozes, maçãs e peras; os macacos, cordões de pipoca. Os cães e os gatos, lembrando dos presentes de que tinham falado, pediram ratinhos feitos de queijo ou de chocolate. Tudo ia muito bem, e a árvore prometia ficar uma beleza.

Até que chegou a vez do porco.

: Grunhido, grunhido!: resmungou ele.: Eu quero um belo balde de lama pendurado no galho de baixo!

: Eca!: torceu o nariz a gazela.

: Que ideia!: resmungaram os outros.

: O quê?!: rugiu o leão.: Todo mundo escolheu uma coisa bonita para deixar a árvore alegre para todos. Por que logo você quer lama?

: Róinc, róinc: insistiu o porco.: Cada um escolheu o que quis, e eu também tenho o direito de escolher. E o que eu quero é o meu balde de lama!

Como tinham combinado que cada um poderia pedir o que quisesse, o leão, contrariado, teve de concordar:

: Está bem. Se o porco quer lama, um balde de lama ele terá, pendurado no galho mais baixo.

Mas foi aí que a coisa complicou. Vendo que o porco pedira algo só para si, sem pensar nos outros, os bichos mais fortes também começaram a fazer pedidos egoístas. O lobo quis para si o cobertor de lã quentinho das ovelhas. A raposa quis levar todos os ovos das galinhas. O falcão quis a tocazinha aconchegante dos coelhos. E o leopardo quis o cantinho de sombra preferido das gazelas.

De repente, o que era festa virou confusão! As ovelhinhas balaram assustadas, as galinhas cacarejaram, os coelhos correram para a grama e os passarinhos levantaram voo em bando. Cada um puxava para o seu lado, e ninguém mais pensava na alegria da árvore. Parecia que a linda árvore de Natal dos animais ia acabar antes mesmo de começar.

Foi então que um cordeirinho pequenino deu um passo à frente e disse, com a sua voz mansa:

: Ah, Rei Leão, seria muito triste se todos os animais perdessem a sua árvore de Natal! Foi justamente o pensamento dessa árvore que nos aproximou. Aqui estávamos nós, selvagens e mansos, grandes e pequenos, reunidos como amigos. Então, para que ninguém fique triste e para que a festa não acabe, eu abro mão do meu presente. Podem ficar com a minha parte.

: Mas: disse o leão, surpreso :, se você abrir mão, vai ficar sem nenhum presente de Natal…

: Sim: respondeu o cordeirinho, com um sorriso.: Mas eu vou ganhar uma coisa muito melhor: vou ver todos vocês juntos e felizes de novo. Para mim, isso já é o maior presente do mundo.

Um silêncio tomou conta da reunião. Todos ficaram admirados com a bondade daquele cordeirinho tão pequeno. O leão, muito comovido, olhou para o cordeiro e depois se virou para o porco:

: Vocês viram o que este cordeirinho acaba de fazer? Ele preferiu a felicidade de todos à sua própria vontade. Diante de tanta bondade, eu também não quero mais nada só para mim. E você, porco, vai continuar querendo lama, ou vai preferir a alegria de todos nós?

O porco baixou a cabeça, envergonhado.

: Óinc…: murmurou ele.: Pensando bem, eu não quero mais o balde de lama. Retiro o meu pedido!

Ao ouvir aquilo, o lobo, a raposa, o falcão e o leopardo também se envergonharam dos seus pedidos egoístas e resolveram desistir deles. Aos pouquinhos, a paz e a alegria voltaram para a reunião.

: Coruja: pediu o leão :, anote aí: nenhum animal vai tirar nada de outro. Em vez disso, vamos fazer diferente.: E o leão teve uma bela ideia: em cada galho da árvore, eles pendurariam pequenos enfeites com o desenho de todos os bichos: um cordeirinho, um passarinho, um coelho, uma ovelha, um leão e até um porquinho :, para que nenhum ficasse de fora e todos fossem lembrados com carinho.

E foi assim que os animais tiveram, afinal, a sua árvore de Natal! Ela ficou tão bonita, cheia de enfeites brilhantes e de figurinhas de todos os bichos, que dizem que foi dali que os humanos aprenderam a pendurar também, em suas árvores, os mesmos enfeitinhos em forma de animais que a gente vê até hoje.

Moral da História

Quando cada um pensa só em si, a festa acaba; mas um único gesto de generosidade é capaz de contagiar todo mundo. É a bondade e a partilha que fazem o verdadeiro espírito do Natal.