A areia de Sandman

Era uma noite de lua cheia, dessas em que o céu fica cheinho de estrelas brilhando como purpurina. O Homem da Lua sorria lá no alto e brincava de esconde-esconde com as estrelinhas, se escondendo atrás das nuvens fofas que passavam devagarinho.
Cada vez que o Homem da Lua sumia atrás de uma nuvem escura, a terra ficava escurinha, e as estrelinhas tremiam de leve.
: Ah, Papai Lua, por favor, não se esconda!: pediram elas, juntando as pontinhas de luz.: A gente não gosta muito do escuro.
: Às vezes eu preciso me esconder, minhas queridas: explicou o Homem da Lua com carinho.: Se eu não fizer isso, os duendes travessos acabam bagunçando a areia mágica do Homem da Areia, e aí as crianças ficam a noite inteira sem conseguir dormir.
As estrelinhas ficaram curiosas. Areia mágica? Duendes travessos? Elas queriam saber tudo!
: Olhem com atenção: disse o Homem da Lua. E, subindo bem alto, sorriu tão forte que iluminou o mundo quase como se fosse dia.
Na grama macia, atrás de uma colina, as estrelinhas viram um velhinho simpático dormindo tranquilo. Ele usava um gorro pontudo e tinha um narizinho comprido e engraçado, que espiava por baixo do capuz.
: Por que o nariz dele é tão comprido?: perguntou uma estrelinha, achando graça.
: É para farejar as crianças que ainda estão acordadas na hora de dormir: respondeu o Homem da Lua, rindo.: Com um gesto suave, ele espalha um pouquinho de areia mágica nos olhinhos delas, e pronto: chegam os sonhos mais gostosos do mundo.
Nesse instante, as estrelinhas viram a Rainha das Fadas descer a colina com suas fadinhas. Uma a uma, elas deixaram cair grãos de areia prateada dentro da sacola do Homem da Areia.
: Cada grãozinho é um sonho bonito que a gente prepara com cuidado: contou o Homem da Lua.: É por isso que as crianças dormem tão docemente.
Quando a sacola ficou cheia, as fadas subiram de volta numa carruagem de flor. Foi então que apareceram os duendinhos verdes, na pontinha dos pés, achando que ninguém estava vendo.
Bem devagarzinho, eles trocaram alguns grãos de areia mágica por sementinhas de sonhos atrapalhados: aqueles sonhos confusos, cheios de perde-e-acha, que deixam a gente rolando na cama.
Mas o Homem da Lua não deixou a travessura passar. Ele espiou por trás de uma nuvem e, de repente, brilhou forte. Os duendinhos, assustados, tropeçaram uns nos outros e rolaram colina abaixo, bem em cima do Homem da Areia, que acordou num pulo!
Com sua capa comprida, o velhinho recolheu os duendes traquinas, um por um. Mas ele não ficou bravo. Ele apenas balançou a cabeça com um sorriso paciente.
: Ora, ora: disse ele, gentil.: De novo essa brincadeira? Devolvam a areia dos sonhos bonitos, meus amiguinhos.
Envergonhados, os duendinhos esvaziaram os bolsos e devolveram cada grão prateado. Depois saíram correndo, prometendo se comportar. O Homem da Areia sacudiu a poeira da capa, jogou a sacola no ombro e seguiu seu caminho, assobiando baixinho.
: Aonde ele vai agora, Papai Lua?: perguntaram as estrelinhas.
: Vai levar sonhos bonitos para todas as crianças que ainda estão acordadas: respondeu o Homem da Lua.: E, se elas fecharem os olhinhos logo, os sonhos chegam mais doces ainda.
As estrelinhas piscaram felizes. Agora entendiam por que a noite era tão especial. E, lá embaixo, todas as crianças dormiam sorrindo, embaladas pela areia mágica dos sonhos bons.
Moral da História
Quando fechamos os olhos com o coração tranquilo, os sonhos mais bonitos encontram o caminho até nós. E até as pequenas travessuras se desfazem quando são recebidas com paciência e um sorriso.