A Abóbora Velha e Alegre

Era uma vez uma abóbora amarela, redonda e muito alegre, que vivia rolando pelos campos cantarolando. Faltava só um diazinho para o Dia das Bruxas, e ela sonhava em virar uma lanterna sorridente, dessas que enfeitam as janelas.
De repente, apareceu uma velha faca cega e, num instante, recortou dois buraquinhos na abóbora.
: Ei!: riu a abóbora, sem se assustar.: Ainda bem que você não é uma faca de cortar tortas! Mas agora me devolva os meus olhos, por favor.
: Só devolvo os seus olhos: respondeu a faca: se você me trouxer uma pedra de amolar, pois estou tão cega que mal consigo cortar.
A abóbora alegre percebeu que não adiantava discutir. Então rolou, rolou e rolou até uma fazenda, e pediu ao fazendeiro:
: Me empreste a sua pedra de amolar por meia horinha, que eu devolvo num instante!
O fazendeiro coçou a cabeça e disse:
: Pode levar, abóbora amarela. Mas depressa, que amanhã já é Dia das Bruxas!
Só que a esposa do fazendeiro, que queria fazer uma torta, chamou a abóbora de volta:
: Antes de ir, me traga um pouco de açúcar da lojinha, sim?
Sem reclamar, a abóbora rolou até a loja e pediu açúcar emprestado. O lojista riu com vontade e respondeu:
: Pode levar, abóbora! Mas ande logo, que amanhã é Dia das Bruxas.
Nisso, o balconista pediu:
: Só que preciso de troco. Me traga umas moedinhas, por favor.
E lá foi a abóbora, rolando até o banco. Bem na hora, apareceu um homenzinho simpático carregando saquinhos de ouro.
: Precisa de troco?: perguntou ele.: Eu tenho de sobra! Pode pegar.
Que alegria! Agora tudo se resolvia de uma vez. A abóbora levou o troco ao balconista, comprou o açúcar, entregou-o à esposa do fazendeiro para adoçar a torta, pegou a pedra de amolar e correu de volta até a velha faca.
A faca afiou-se, afiou-se e afiou-se, até ficar bem afiada. Então, agradecida, devolveu os olhos da abóbora e, de brinde, recortou também uma boca e um narizinho.
: Você me deu uma bela surpresa, abóbora!: disse a faca.: Aqui estão os seus olhos brilhantes, e ainda ganhou uma boca e um nariz, para ser a lanterna mais bonita do Dia das Bruxas!
O homenzinho do ouro trouxe uma velinha, acendeu-a e colocou-a dentro da abóbora. Na mesma hora, o rostinho dela se iluminou com um sorriso caloroso.
: Agora sim!: comemorou a abóbora, dançando de felicidade em cima de um poste bem alto.: Não virei torta, virei lanterna! Obrigada a todos vocês!
E, naquela noite, a abóbora alegre brilhou para todo mundo, desejando um Dia das Bruxas feliz a cada criança que passava.
Moral da História
Quem enfrenta os perrengues com bom humor e boa vontade sempre encontra um jeito de resolver as coisas: e ainda espalha alegria por onde passa.