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A abelha rainha

Capa do livro de histórias Colorir e Desenhar

Era uma vez três irmãos que partiram pelo mundo em busca de aventuras. Os dois mais velhos eram atrapalhados e sem juízo, e passaram tanto tempo se metendo em confusões que nem voltaram para casa. Preocupado, o irmão mais novo, um rapaz de bom coração chamado Bento, saiu à procura deles.

Quando enfim os encontrou, os dois riram da cara dele.

: Olha só quem apareceu!: zombaram.: Você é bobo demais para achar o caminho da vida.

Mas Bento não se importou com as provocações, e os três seguiram juntos pela estrada.

Não demorou e chegaram a um formigueiro. Os irmãos mais velhos quiseram chutá-lo, só para rir das formigas assustadas correndo de um lado para o outro.

: Deixem esses bichinhos em paz: pediu Bento, firme.: Não suporto ver vocês incomodando quem não fez mal nenhum.

Mais adiante, encontraram um lago cheio de patos. Os dois mais velhos já pensavam em pegar alguns para o jantar.

: Deixem os patos em paz: disse Bento.: Eles têm o direito de nadar tranquilos.

Por fim, avistaram uma velha árvore com uma colmeia cheia de mel. Os irmãos quiseram fazer fogo para tirar o mel e afugentar as abelhas.

: Não vou permitir: disse Bento, colocando-se na frente da colmeia.: As abelhas trabalham demais para perderem a casa assim. Deixem-nas em paz.

Contrariados, os mais velhos seguiram adiante, e logo os três chegaram a um castelo silencioso. Nos estábulos havia apenas cavalos de pedra, e não se via viva alma. Procuraram por todos os corredores, até encontrarem uma porta trancada com pesados cadeados, com uma pequena janelinha para espiar. Lá dentro estava um velhinho de barba branca.

Chamaram uma vez, chamaram duas, e ele nada respondeu. Só na terceira vez o velho se levantou, abriu a porta e, sem dizer palavra, conduziu-os a uma mesa farta. Depois de comerem e beberem, mostrou a cada um o seu quarto para dormir.

Na manhã seguinte, o velhinho levou o irmão mais velho até uma grande pedra onde estavam gravadas três tarefas. Quem as cumprisse quebraria o encanto do castelo. A primeira era encontrar, na floresta, as mil pérolas da princesa, espalhadas entre as folhas. Se, ao pôr do sol, faltasse uma só pérola, aquele que procurava viraria estátua de pedra.

O irmão mais velho procurou o dia inteiro, mas, ao anoitecer, só tinha encontrado cem pérolas. E, assim, virou pedra.

No dia seguinte, foi a vez do irmão do meio. Ele encontrou duzentas pérolas, mas também não foi suficiente, e virou pedra igualzinho ao outro.

Por fim, chegou a vez de Bento. Ele procurou, procurou, mas as pérolas estavam tão escondidas que quase não aparecia nenhuma. Desanimado, sentou-se numa pedra e não conseguiu conter as lágrimas.

Foi então que ouviu um farfalhar no chão. Era a formiga-rainha, seguida de cinco mil formigas: justamente aquelas que ele havia protegido.

: Você foi bom conosco: disse a rainha.: Agora deixe que a gente ajude você.

Num piscar de olhos, as formigas vasculharam cada cantinho da floresta e juntaram todas as mil pérolas antes do pôr do sol.

A segunda tarefa era buscar, no fundo do lago, a chave do quarto da princesa. Mal Bento chegou à beira da água, os patos que ele salvara nadaram até ele e mergulharam bem fundo, trazendo a chave no biquinho.

A terceira tarefa era a mais difícil de todas. Havia três princesas adormecidas, tão parecidas que ninguém sabia diferenciá-las. Bento precisava escolher a mais jovem e gentil. A única pista era que, antes de dormir, cada uma havia provado um docinho diferente: a mais velha, um pouco de açúcar; a do meio, um fio de xarope; e a mais nova, uma gotinha de mel.

Nesse instante, entrou pela janela a abelha-rainha da colmeia que Bento protegera do fogo. Zumbindo agradecida, ela voou até as três princesas, provou de leve os lábios de cada uma e pousou nos lábios daquela que havia comido mel.

: É esta!: exclamou Bento, feliz.

Assim que ele apontou a princesa certa, o encanto se quebrou. O castelo despertou, e todos os que haviam virado pedra: inclusive os dois irmãos: voltaram à vida.

Bento se casou com a princesa mais jovem e gentil, e, com o tempo, tornou-se um rei justo e bondoso. Os irmãos, que aprenderam a lição, casaram-se com as princesas mais velhas, e todos viveram em paz.

Moral da História

A bondade nunca é desperdiçada. Quem trata com carinho até as menores criaturas planta amizades que, um dia, retornam em forma de ajuda quando mais precisamos.