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Jogos de tabuleiro por idade: como escolher o certo para cada fase

Sentar em volta da mesa para jogar é um dos programas mais completos que uma família pode ter. Um bom jogo de tabuleiro ensina a esperar a vez, a lidar com o ganhar e o perder, a contar, a ler e a raciocinar, tudo isso enquanto todo mundo se diverte junto. O segredo para o jogo dar certo é escolher a proposta certa para a idade da criança: um jogo fácil demais entedia, e um jogo difícil demais frustra. Neste guia você encontra sugestões de tipos de jogos fase por fase, além de dicas para transformar a partida em um momento gostoso de estar em família.

Por que os jogos de tabuleiro fazem tão bem

Muito além do entretenimento, o jogo de tabuleiro é uma escola de habilidades para a vida. Ao esperar a sua vez, a criança exercita a paciência e o autocontrole. Ao seguir as regras, aprende que existem combinados que valem para todos. Ao contar casas, somar pontos ou comparar quantidades, treina noções matemáticas sem perceber que está estudando. E ao ganhar ou perder, vive de forma segura emoções fortes que precisará administrar a vida inteira.

Há ainda um ganho que nenhuma tela oferece: a atenção plena de quem está do outro lado da mesa. Durante a partida, adultos e crianças conversam, riem, torcem e se olham nos olhos. Esse tempo de qualidade fortalece o vínculo afetivo e mostra à criança que ela é importante. Por isso, os jogos de tabuleiro são um ótimo aliado de quem quer reduzir o tempo de tela sem que ninguém se sinta privado de diversão.

De 2 a 3 anos: os primeiros jogos

Nessa fase, a criança ainda está aprendendo a esperar a vez e a lidar com regras, então os melhores jogos são bem curtos e simples. Procure propostas com peças grandes, que não caibam na boca, e com poucas etapas. Jogos de encaixe, de empilhar, de associar cores e formas, ou de encontrar figuras iguais funcionam muito bem. O foco aqui não é competir, e sim manipular as peças, nomear o que aparece e brincar de organizar.

Não espere que a criança siga as regras à risca: aos 2 ou 3 anos, mudar as regras no meio do jogo faz parte do processo. Deixe que ela explore o material do jeito dela e aproveite para nomear as cores, contar as peças em voz alta e comemorar cada acerto. Partidas de poucos minutos, repetidas várias vezes, valem mais do que uma partida longa que termina em cansaço.

De 4 a 5 anos: regras simples e cooperação

A partir dos 4 anos, a maioria das crianças já consegue entender regras simples e esperar a própria vez por alguns minutos. É a idade ideal para jogos com dado, trilhas curtas para avançar casas, jogos de memória com mais cartas e jogos de sorte em que ninguém precisa ler para jogar. Os jogos cooperativos, em que todos jogam contra o tabuleiro e vencem ou perdem juntos, são especialmente valiosos nessa fase, porque ensinam a torcer pelo grupo e diminuem a frustração de perder.

Aproveite as partidas para trabalhar a contagem, as cores e o reconhecimento de números no dado. Se a criança ainda tem dificuldade em lidar com a derrota, comece pelos jogos cooperativos e vá introduzindo aos poucos os competitivos. Combinar de brincar também sem tabuleiro ajuda: as nossas brincadeiras trazem opções que exercitam a vez de cada um de um jeito mais solto, ótimas para preparar o terreno.

De 6 a 8 anos: estrategia e leitura

Com a alfabetização a caminho ou já em curso, abre-se um mundo de jogos. Nessa faixa, as crianças curtem jogos de percurso mais longos, jogos de palavras que reforçam a leitura e a escrita, quebra-cabeças mais desafiadores e os primeiros jogos de estratégia, em que é preciso pensar algumas jogadas à frente. Jogos de perguntas e respostas adaptados para a idade também caem bem e ampliam o repertório de conhecimentos gerais.

É comum que, nessa fase, a criança leve a competição muito a sério e fique bastante frustrada ao perder. Em vez de deixá-la ganhar sempre, o que atrapalha o aprendizado, acolha a frustração e mostre que perder faz parte e que na próxima partida ela pode tentar de novo. Jogos que combinam sorte e estratégia são bons nesse sentido, porque nem sempre vence quem joga melhor, e isso ajuda a lidar com o acaso. Para variar, os jogos de raciocínio da nossa página de atividades complementam bem as partidas em família.

A partir dos 9 anos: desafios maiores

Dos 9 anos em diante, as crianças já conseguem acompanhar regras mais complexas e partidas mais longas. É a hora dos jogos de estratégia de verdade, dos jogos de dedução e mistério, dos jogos de construir e negociar, e dos clássicos que a família toda pode jogar junta. Muitos desses jogos exigem planejar, prever as jogadas dos outros e tomar decisões, habilidades que fortalecem o raciocínio e a paciência.

Essa também é uma idade em que os jogos viram programa entre amigos e primos, o que estimula a convivência e a negociação de regras em grupo. Vale envolver a criança na escolha dos jogos e até na leitura do manual, o que reforça a autonomia. E não há problema em revisitar jogos mais simples de vez em quando: o objetivo maior continua sendo estar junto e se divertir, e não subir de nível o tempo todo.

Dicas para o jogo virar um bom momento em familia

Alguns cuidados simples fazem toda a diferença. Escolha um horário em que ninguém esteja com fome ou com sono, explique as regras antes de começar e comece por partidas curtas, aumentando a duração conforme o interesse cresce. Deixe claro desde o início que o mais importante é a brincadeira, e não o placar, e dê o exemplo perdendo com bom humor quando for a sua vez de perder.

Guarde os jogos em um lugar de fácil acesso, para que a criança possa propor uma partida quando tiver vontade, e revezem quem escolhe o jogo do dia. Se um jogo ainda estiver difícil, adapte as regras em vez de abandoná-lo, e retome mais para a frente. Acima de tudo, esteja presente de verdade: guardar o celular durante a partida é o maior presente que você pode dar. O jogo é só a desculpa, o que fica de lembrança é o tempo bom que vocês passaram juntos.

Fontes

  • Sociedade Brasileira de Pediatria, orientações sobre o brincar e o desenvolvimento infantil. Disponível em www.sbp.com.br.
  • Ministério da Saúde, saúde da criança e desenvolvimento infantil. Disponível em www.gov.br/saude.
  • UNICEF Brasil, a importância do brincar na infância. Disponível em www.unicef.org/brazil.

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